O povo Uros, que nem os incas não conquistaram

por Jackie Mota 22.ago.2012

Dando continuidade aos relatos do Mochilão, hoje vou começar a falar do Peru. Atravessamos a fronteira da Bolívia com o Peru vindos de Copacabana e nossa primeira parada seria na cidade de Puno. É dali que sai o passeio até as Ilhas Uros, ou ilhas flutuantes (islas florentes, em espanhol), uma grande atração do Peru.

Ilhas uros ilhas flutuantes islas florentes peru

Barco de totora no Lago Titicaca: passeio às islas flotantes

As tais ilhas ficam no Lago Titicaca e são habitadas pelo povo Uros, um povo primitivo que chegou ali fugindo da expansão inca vinda do norte. O mais interessante é que as ilhas não existiam: elas foram feitas pelos Uros. Sim, as ilhas são artificiais, feitas utilizando o capim totora, típico do local. Hoje em dia existem aproximadamente 66 ilhas e 2,3 mil pessoas vivendo nelas.

Como estudo guerras fiquei enlouquecida com esse povo que para não se submeter ao domínio inca simplesmente criou um novo território, dentro do Lago, para continuar independente. Não é impressionante?

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Mas, claro, viver em uma ilha feita de capim tem seus problemas. Os Uros precisam ter muito cuidado para que a ilha continue a fluturar, por isso o trabalho de trançar o capim é contínuo. Além disso, a alimentação também teve que ser adaptada e o capim totora se tornou a principal fonte. E viver num solo úmido e macio (a ilha é firme, mas bem macia, como andar num colchão) gera muitos problemas de saúde, sendo bronquite e artrite os mais comuns.

Enquanto moravam ali, isolados, os uros não tinham dinheiro. Mas hoje em dia já utilizam, especialmente o deixado pelos turistas que são muitos e chegam ali de barca para conhecê-los e podem comprar algum artesanato feito com o campim.

Nós fizemos esse passeio, que já compramos lá em Copacabana mesmo. Descemos na rodoviária e fomos levados a um táxi, que nos deixou no cais. Pegamos a barca e depois de uns 30 minutos chegamos a uma primeira ilha, onde assistimos a uma apresentação sobre os Uros, com um guia e um menino local. Provamos o capim totora (tem gosto de palmito beeeeem aguado) e depois fomos conhecer o interior da casa de uma família. As casas são muito simples, um único cômodo para vários moradores. Na casa que visitamos morava Melina, seu marido e seus 5 filhos. Ela cria trutas, flamingos e faz artesanato. Compramos com ela um barquinho feito de capim totora.

As crianças frequentam a escola. Há escolas para os Uros desde 1963 e a primeira foi uma instituição adventista.

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Depois pegamos um barco de capim totora para outra ilha. Lá havia uma lanchonete, mas nem comemos nada e depois, de barca, voltamos ao cais.

Esse é um daqueles destinos que nos fazem refletir sobre os efeitos do turismo. A mudança de cultura e hábitos dos Uros por conta das visitas é clara. Os moradores ficam esperando os turistas e são muito receptivos, por exemplo, para mostrar suas casas porque esperam alguma gorjeta em troca. Enquanto estávamos no barco de totora, por exemplo, umas criancinhas conataram uma versão em espanhol da canção My Bonnie. Era uma gracinha, claro, mas era obviamente um número ensaiado para os turistas.

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Então, o passeio se tornou uma coisa bem turística, sim. Como a procura é alta (chegam barcos a toda hora, todos os dias), muitos uros se adaptaram a viver dessa atividade e isso é uma mudança importantíssima para um povo que sequer utilizava dinheiro. Ao mesmo tempo, esse dinheiro permite que os uros tenha acesso a bens modernos e que podem facilitar sua vida. Atualmente, por exemplo, usa-se energia solar na ilha, em vez de fogo, o que diminuiu drasticamente os acidentes gerados por fagulhas em ilhas feitas de capim. Ou seja, é uma questão complicada julgar os efeitos do turismo, se está deturpando a cultura ou se está ajudando-os a viver melhor.

De todo modo, os Uros são, entre os povos contemporâneos, o mais interessante que já conheci e sua história de resistência merece ser conhecida.

 

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Publicado por Jackie Mota

Uso minha formação em jornalismo e minha experiência organizando as viagens da minha própria família para escrever posts didáticos e detalhados para poupar o SEU tempo. Nos meus textos você encontra informações práticas apuradas com responsabilidade e organizadas de acordo com as necessidades do viajante. Referências histórias e análises sobre a política e impactos do turismo também estão presentes no meu trabalho para que você viaje bem informado, seguro e consciente - sou especialista em Relações Internacionais e Mestre em Estudos Estratégicos da Segurança Internacional.

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Comentários

  1. Gleydson
    18 jan 2016

    Oi Jackie, boa noite. Parabéns pelo seu blog, ele contem muitas informações importantes. Obrigado por compartilhar com a gente.
    Por favor, me diga uma coisa, você lembra aonde se paga o ônibus de Copacabana para Puno? Tem muitas opções? Esse passeio para as Ilhas de Uros durou quantas horas? Vi que você também saiu de Copacabana para lá, nesse caso, você fez o passeio das ilhas com as suas mochilas ou deixou em algum lugar em Puno? Pretendo sair de Copacabana pela manhã, e fazer o passeio das Ilhas de Uros, e no mesmo dia ir para Cusco, dá para fazer isso?
    Obrigado

    • 25 jan 2016

      Oi Gleydson, certinho onde pega o ônibus não lembro não, mas era bem perto de onde saem/chegam os barcos para a Isla del Sol.
      Tinha algumas opções sim, tudo meio improvisado, sabe.
      O passeio a Uros levou umas 3 horas. Nós deixamos as mochilas na própria empresa do passeio as ilhas de Uros, no escritório deles. Na volta, pegamos.
      Dá sim pra fazer como vc quer. Nós fizemos mais ou menos isso, seguindo viagem no mesmo dia à noite.
      abs e boa viagem!

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