Arequipa: Praça de Armas

por Jackie Mota 21.nov.2012
Depois de termos conseguido reencontrar nosso hostel fomos conhecer o centro de Arequipa. No nosso planejamento original só conheceríamos mesmo o Centro, então já estávamos com um bônus por termos feito o tour pela manhã.

Corremos, claro, para a Praça de Armas, que, sabíamos, havia sido declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO no ano de 2000, devido a suas características arquitetônicas e culturais típicas. Consta lá no site da Unesco que uma das razões para a concessão do título à Praça é por ela ser uma obra-prima da integração criativa entre as características européias e nativas. E realmente, enquanto eu examinava as construções da praça o fato de uma informação no guia dizer que a cidade havia sido fundada em 1540 não significava muito; ao olhar a Catedral, os balcões que cercam a praça cheio de turistas almoçando, os prédios coloniais reutilizados por farmácias, restaurantes e lojinhas, os senhores lendo jornal sentados nos bancos, eu não pensava na Praça em termos de origem, começo, criação pronta; eu só conseguia encará-la como um local de fluxo, com diversas versões, arena de conflitos que foram sintetizados e que logo adiante seriam novamente colocados em xeque. Eram estes fluxos que hoje nos davam aquela Praça de Armas e que amanhã, daqui a 2 anos, quando eu a visitasse novamente com meu filho seria outra. Sou, sem dúvida, admiradora da preservação da história, mas admiro essa história rica de locais que são passíveis de continuarem a sofrer mudanças, que continuam a ser expostos às forças do homem e da cidade. E, em Arequipa, especialmente às forças da natureza.



A Catedral que acompanha toda a lateral da praça, por exemplo, começou como uma simples capela, por volta de 1544. Depois virou catedral e já foi destruída e reconstruída diversas vezes, por causa de incêndios e terremotos. É difícil não ficar embasbacado com a construção, enorme e branca. Ali todas as construções são em sillar, a pedra vulcânica branca que, segundo uma das versões sobre a história de Arequipa, teria garantido à cidade sua alcunha de ciudad blanca. A outra versão diz que chamavam-na branca por ser habitada por la gente blanca, os espanhóis.  Foram eles que fizeram a praça de armas, no meio de um espaço já habitado por povos locais. 

Se você já viajou ou leu sobre a América do Sul vai se lembrar que em toda cidade colonizada pelos espanhóis há uma plaza de armas ou plaza mayor. Para a Plaza de Arequipa foram reservadas algumas peculiaridades, como o tamanho (é uma praça muito grande) e a posição da catedral, com a frente voltada para a Praça. Mas o sentido da praça é o mesmo que em toda as cidades colonizadas. As praças, para os espanhóis, eram um espaço pensado para ser aberto, para o comércio e outras atividades. Vale lembrar que os espanhóis tinham que subjugar civilizações muito desenvolvidas em sua parte das Américas, como os próprios incas que dominavam da Colômbia até o Chile e, por isso, na estratégia espanhola ter cidades bem estruturadas e com capacidade de resistir a ataques militares bem elaborados era fundamental. Os espanhóis teriam logo logo desenvolvido uma rápida capacidade de construir suas cidades sobre as fundações das civilizações nativas (Cusco é o maior exemplo desse aproveitamento de bases) e utilizaram o método “em rede” ou tabuleiro, com quadradinhos, para a organização urbana.
Voltando ao nosso passeio, pois bem,  a catedral está ali com 107 metros de largura e uma arquitetura cheia de detalhes entalhados. Na praça em si há bancos e árvores que nos permitem ficar sentados admirando os balcões que dominam as outras três laterais. Esta parte central foi remodelada no último século para permitir justamente o passeio (uma influência do urbanismo parisiense?). Hoje com chafariz, árvores, bancos, antes era muito “limpa”, para permitir o uso que a cada momento melhor conviesse ao governo. Os arcos, que hoje vemos simétricos, também são obra de remodelações, bem como o segundo andar, que originalmente não existia. Na maioria deles funcionam cafés e restaurantes.
Obviamente os restaurantes na parte de cima dos arcos são mais caros. No andar térreo há lanchonetes mais simples e farmácias e lojinhas para turistas. Ainda traumatizados pela comida de Puno decidimos não correr riscos e comemos uma pizza, aquela comida que até ruim é boa. À noite, quanto voltamos à praça para nos despedir fomos a um Café no térreo bem simpático, uma espécie de Starbucks peruano, o Cusco Café, que nos rendeu ótimos sanduíches para lanche durante a ida a Nazca.

Mas ali pela hora do almoço comemos pizza, tiramos umas fotos e nos lembramos pela primeira vez durante a viagem que estávamos no verão. Já começava a fazer calor, uma siesta teria sido boa, mas decidimos andar um pouco sem rumo, como tanto amamos. Olhando as ruas, de mãos dadas na cidade branca onde tudo dava certo.



Referência:

Enquanto pesquisava para nossa viagem, encontrei este post aqui que indico para quem quiser conhecer em detalhes a evolução arquitetônica da praça (tem um vídeo bem bacana).


A ida à Arequipa faz parte de nosso mochilão pela Bolivia e Peru em janeiro de 2012.

Texto e edição: Jackeline Mota; Fotos: Viaje Sim!

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Publicado por Jackie Mota

Uso minha formação em jornalismo e minha experiência organizando as viagens da minha própria família para escrever posts didáticos e detalhados para poupar o SEU tempo. Nos meus textos você encontra informações práticas apuradas com responsabilidade e organizadas de acordo com as necessidades do viajante. Referências histórias e análises sobre a política e impactos do turismo também estão presentes no meu trabalho para que você viaje bem informado, seguro e consciente - sou especialista em Relações Internacionais e Mestre em Estudos Estratégicos da Segurança Internacional.

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