O que fazer no centro de Ushuaia: museus

por Jackie Mota 11.jul.2013

Apesar de ser uma cidade pequena, Ushuaia tem bastante atrativos em seu centro, então o que fizemos em todos os dias na cidade foi ir para os passeios comprados nas agências logo pela manhã, direto do hotel, e na volta ficar no centro para aproveitar o fim de tarde e noite. Separei as principais atrações do Centro em 2 posts. Neste primeiro falo um pouco sobre alguns museus.

Museu do Presídio e Museu Marítimo

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O prédio do antigo presídio de Ushuaia hoje abriga dois museus: o Museu do Presídio de Ushuaia e o Museu Marítimo. O local funciona todos os dias da semana, das 9h às 20h, então fica perfeito para encaixar no fim da tarde após um dos passeios ao ar livre como a navegação no Canal de Beagle. O bilhete vendido no próprio local dá direito à livre visitação aos dois museus por 48 horas e oferece tours guiados pelo Museu do Presídio às 11h30, 16h30 e 18h30. Pagamos, em fevereiro, 90 pesos (com o câmbio da época, foi US$ 15) por pessoa e fizemos o tour às 18h30, com duração de cerca de 40 minutos e em espanhol,  seguido pela visita ao Museu Marítimo. Também há uma opção de visita teatralizada, em que atores encenam a vida na época em que o presídio funcionava e os turistas usam uma roupa que imita os uniformes de então, mas durante nossa estadia em Ushuaia não houve o passeio (alegaram não haver quórum). Segundo o folheto do Museu esta modalidade é oferecida às segundas, quartas e sextas às 20h, mas é preciso checar bem antes (e somente maiores de 15 anos podem ir).

O presídio foi fundamental para o desenvolvimento de Ushuaia e sua construção remonta a 1896. Nesta época a cidade não tinha mais que 40 casas e foi quando chegou ali o primeiro grupo de condenados, criminosos reincidentes. Eles inicialmente ficaram em casas de madeira e chapa, no lado oeste da cidade, e seriam seus próprios braços que levantariam o presídio onde eles ficariam encarcerados. Se isso parece desumano, por outro lado a construção de um presídio no continente significava uma melhoria nas condições de vida para outros presos.

Apesar de ser conhecida como “Fim do Mundo”, Ushuaia está  no continente e por isso mais próxima da civilização do que outro local utilizado até então como prisão militar, a Isla de los Estados. Olhe só no mapa: Ushuaia está ali na ponta direita do continente e a Isla mais ou menos na mesma direção, mas no meio do oceano, ainda mais isolada. Então ser transferido para o fim do mundo para alguns era um “upgrade” na pena e a desativação do presídio militar na Isla de los Estados foi justificada com motivos humanitários, pois as condições lá eram péssimas.

capture-20130710-192746No mapa a seta verde indica o Canal de Beagle e a linha branca é a fronteira com o Chile (à esquerda Chile, à direita Argentina)

O presídio de Ushuaia, em comparação ao da Isla de los Estados, seria luxuoso. Os condenados começaram a construção do presídio nacional em 1902 e seguiram trabalhando no prédio até 1920. O modelo escolhido foi o do panóptico, o ideal do controle total sobre os presos. Nascido no século XVII o panóptico original consistia de um prédio em formato circular com um salão central e uma torre neste de onde os guardas podiam enxergar todas as celas ao mesmo tempo e estas eram abertas para o interior e exterior, de modo que o guarda via toda a extensão da cela. E, mais importante, um modelo em que os presos sabiam que estavam sendo vigiados todo o tempo.

A disseminação tanto de seu uso quanto de seu objetivo, controle total pela autoridade e sensação de vigilância permanente pelo vigiado, foi apontado por Foucault como um exemplo do avanço da sociedade disciplinar. Segundo Foucault, o panóptico “permite aperfeiçoar o exercício do poder. E isto de várias maneiras; porque pode reduzir o número dos que o exercem, ao mesmo tempo que multiplica o número daqueles sobre os quais é exercido” (Vigiar e Punir, 1997, p. 170). Se você se interessou pelo assunto, sugiro a leitura de duas obras de Foucault, especialmente, o  Vigiar e Punir e o Microfísica do Poder, em que o filósofo analisa a história das sociedades e seus meios de encarceramento e construções de instituições estatais como escolas, hospitais e manicômios para estudar as relações de poder.

o que fazer no centro de ushuaia museu do presidioPoster mostra a estrutura do presídio

Mas, voltando a Ushuaia, o presídio lá foi construído com 5 pavilhões circundando um pátio central, cada pavilhão com 76 celas cada que chegaram a abrigar mais de 600 presidiários. O tour guiado começa pelo pavihão 4, que foi modernizado e cujas celas atualmente contêm representações da vida cotidiana no presídio. É nesta parte que estão os bonecos que acho assustadores e a guia aproveita a presença dos “modelos” para contar a história de presos famosos e curiosidades sobre a vida ali.

Como já contei aqui, um dos presos mais conhecidos é Cayetano Santos Godino. Ele morreu no presídio, assassinado por outros presos, após matar o animal de estimação de um deles. Antes de chegar a Ushuaia, o jovem havia matado outras crianças, desde seus 8 anos de idade, e foi pego a primeira vez no enterro de uma de suas vítimas. Cayetano passou por diversos tratamentos comuns à época, como choques, cirurgias redutoras das orelhas (sim, acreditavam que isso poderia mudar a índole do menino) etc. A história é bem triste e pelo que a guia contou, marido acha que ele tinha neurosífilis. Há um filme argentino sobre Cayetano, o El Niño de Barro.

A guia explica que os presos trabalhavam tanto no presídio em serviços de manutenção do local e prestação de serviços à cidade, quanto fora, construindo estradas, casas etc e no atual Parque Nacional Terra do Fogo. Foram eles que colocaram em funcionamento o “trem mais austral do mundo”, em 1910. A linha de 25 Km servia para o transporte da madeira cortada no Parque.

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O tour bombando

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O pavilhão (boneco de guarda)
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Uma das celas com representações da vida no presídio

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O boneco de Cayetano

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O pavilhão preservado como no original

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Pavilhão onde hoje funciona uma galeria

Na saída deste primeiro pavilhão, o 4, chegamos ao pátio que é o centro do prédio e onde hoje funciona uma cafeteria. Dali pode-se ver as entradas para todos os outros pavilhões. Hoje eles abrigam galerias de arte, lojinhas, escritórios administrativos etc, mas um deles foi mantido como na época em que o cárcere funcionava, o pavilhão 1. Fomos lá após o tour e é ainda mais sufocante que o pavilhão 1, muito escuro e lúgubre.

O presídio foi fechado em 1947, por Juan Perón, por motivos humanitários e totalmente desativado em 1948. O prédio foi passado à Marinha, que o transformou em base e atualmente em Museu.

Com a guia a visita segue para o lado de fora do presídio onde existe uma réplica do verdadeiro Farol do Fim do mundo, que ficava na Isla de los Estados. Foi esse farol que inspirou Jules Vernes a escrever o livro homônimo. O pequeno prédio em formato de octógono funcionou entre 1884 e 1902, quando foi desativado e os presos locais transferidos para Ushuaia. Dentro do farol há alguns itens encontrados no local original em exposição e uma boa explicação sobre as condições de vida na região naquela época.

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No andar superior funciona o Museu Marítimo, dividido em Museu Antártico e partes dedicadas à história de Ushuaia, a outros presídios-museus espalhados pelo mundo,  lojinha de lembranças e uma agência dos Correios. Gostei da exposição sobre os outros presídios que viraram museu e da parte dedicada à geografia, fauna e flora local mais do que da parte sobre as expedições à Antártica, mas para quem se interessa pelo assunto há bastante informação. São várias salas que contam os feitos mais importantes de diversas expedições e também há uma exposição de fósseis.

Outros museus no Centro de Ushuaia:

Museu Yámana e Museu do Fim do Mundo

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Os dois museus ficam bem próximos, o Yámana na Rivadavia 56, aberto todos os dias de 10h às 20h (40 pesos) e é dedicado ao povo Yámana, os nativos da Terra do Fogo. O do Fim do Mundo fica na Maipú 173, custa 50 pesos (com direito a acesso também à Antigua Casa de Gobierno) e funciona de segunda à sexta entre 10h e 19h e sábdos, domingos e feriados de 14h às 20h.

Museo de la Ciudad

É o mais recente, fica na Av. Maipú y Plüschow e funciona de segunda a sexta de 10h às 18h, com entrada gratuita.

 

Texto e edição: Jackie; Fotos: Viaje Sim!

 

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Publicado por Jackie Mota

Uso minha formação em jornalismo e minha experiência organizando as viagens da minha própria família para escrever posts didáticos e detalhados para poupar o SEU tempo. Nos meus textos você encontra informações práticas apuradas com responsabilidade e organizadas de acordo com as necessidades do viajante. Referências histórias e análises sobre a política e impactos do turismo também estão presentes no meu trabalho para que você viaje bem informado, seguro e consciente - sou especialista em Relações Internacionais e Mestre em Estudos Estratégicos da Segurança Internacional.

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Comentários

  1. Luiz Eduardo de Barros Leal Reis
    13 ago 2014

    Se for em setembro (inicio), dá para fazer o mini trecking no Perito Moreno ?

    • 13 ago 2014

      Luz, o Perito Moreno fica em El Calafate, não em Ushuaia. Eu não visitei El Calafate.
      Abs,

  2. Selma Coelho Eugenio de Souzas
    09 nov 2013

    Sou curiosa, e agora cresceu muito meu interesse pela Patagônia. Qualquer informaçao é ben vinda, mas essa está fantástica. Mas gostaria mesmo da saber a melhor época de ir e de onde é melhor sair. Moro em Brasília. Obrigado.

    • 11 nov 2013

      Olá Selma. Você pode ir tanto no inverno qt no verão, mas serão viagens completamente diferentes. Nós fomos no verão (fevereiro) e é como vc vê nos posts: paisagens incriveis, passeios ao ar livre, animais etc. Já no inverno o principal é esquiar, pois fica tudo coberto de neve.
      Acredito que vc consiga voos saindo de Brasilia sem problemas. Normalmente os voos fazem escala em buenos aires, então vc pode comprar direto para Ushuaia ou comprar para buenos aires e de lá pra ushuaia.
      abs,

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