Noivado na Isla del Sol

por Jackie Mota 31.out.2012

Quem acompanha o blog sabe que durante o nosso mochilão pela Bolívia e Peru me apaixonei pela Isla del Sol. Para mim foi o lugar mais lindo em que já dormimos, indico para uma lua de mel e quero muito voltar. Pois outro dia estava no Mochileiros conversando sobre o mochilão quando o Alexandre me contou que havia pedido a agora esposa dele em casamento na Isla. Achei  lindo, claro, e pedi que ele escrevesse um relato para a gente. Espero que inspire outros namorados em busca do momento perfeito para fazer o pedido, pois o Alexandre foi muito dedicado, preparou uma grande surpresa e conseguiu guardar segredo até o último minuto. Com certeza esse pedido foi um momento inesquecível para o casal. Ah, e tem dica para quem vai à Isla também no relato.

Pedido de casamento na Isla del Sol, por Alexandre

Em julho de 2011, após 6 anos planejando, fui fazer meu primeiro mochilão (Bolívia/Peru). Tive como companhia minha namorada, que também há tempos planejava uma viagem semelhante. Nosso desejo em conhecer Machu Picchu era tão grande, que no dia em que nos conhecemos começamos a planejar essa viagem. O planejamento inicial era ir pra La Paz, ficar 4 dias na cidade e depois ir pra Copacabana, conhecer o Titicaca, e depois ir para Cusco, conhecer a cidade perdida dos incas.
Entretanto, como em todo mochilão, imprevistos acontecem. Tivemos um contra-tempo em La Paz, que nos obrigou ficar três dias a mais na cidade, então, tivemos que cortar Copacabana e o Titicaca do nosso roteiro. Minha namorada ficou triste. Nós chegamos à Copacabana, olhamos aquela imensidão azul turquesa e seguimos em frente, rumo a Cusco, como um velho Moisés proibido de entrar na terra prometida.

Naquela segunda-feira de Julho, às margens do Titicaca, na hora do pôr-do-sol, esperando o ônibus pra Cusco, fiz a promessa à minha namorada de que um dia nós voltaríamos para conhecer o lago navegável mais alto do mundo. O que nós não sabíamos ainda é que esse lago faria parte de nossa história para sempre.

Após o fim da viagem, retornamos ao nosso cotidiano e aos planos para o futuro. Pensávamos em nos casar. Eu pensava em ficar noivo no final do ano e me casar no início de 2012. Ela queria que nosso casamento fosse o quanto antes. Como voltamos de viagem no final de julho de 2011, ficamos uns dois meses sem pensar no assunto. Toda vez que o assunto surgia, eu falava que precisávamos de mais tempo, que o ideal era ela concluir a faculdade, já que em 2012 seria seu último ano de faculdade.

Em outubro começamos a conversar concretamente sobre o assunto. Na mesma época começamos a planejar a viagem de fim de ano. Como não pudemos conhecer o salar de Uyuni na Bolívia, nem o lago Titicaca, decidimos voltar pra conhecer esses lugares. O que a minha namorada não sabia é que, naquele final de outubro de 2011, junto com as passagens de avião para Santa Cruz, eu comprei também as alianças para nosso noivado.

Entretanto, toda vez que o assunto casamento surgia, eu desconversava, dizia que depois da viagem nós conversaríamos sobre, e coisas do tipo. Em novembro, conversei com a minha sogra e meu sogro e contei pra eles que nós ficaríamos noivos na Bolívia, mas que seria surpresa. E juntos marcamos a data do casamento, para dia 18 de março de 2012. Escolhi dia 18/03 porque o aniversário dela seria dia 21/03, assim passaríamos o aniversário dela em lua de mel.

Já no final de novembro de 2011, a mãe dela contratou o buffet, reservou o lugar da festa e começou adiantar tudo que era possível. Claro, sem minha namorada saber de nada. Eu sempre falava que o ideal era noivarmos em julho e casarmos em outubro de 2012. Em dezembro, ela já estava louca porque toda vez que o assunto casamento surgia, eu desconversava (claro, surpresa é surpresa!).

Uma semana antes de viajarmos, em dezembro de 2011, ela encontrou no meu quarto a caixa das alianças (vazia, porque eu prevendo que isso podia acontecer escondi as alianças em outro lugar). Desconfiada, foi conversar com a mãe dela, pra saber que eu havia falado alguma coisa, mas minha sogra desconversou.

Alertado pela minha sogra, fui conversar com ela explicando que aquela caixa era presente de uma amiga pra eu guardar as alianças o dia que comprasse (era uma caixa diferente, então ela acreditou). Naquele dia nós discutimos, mas eu não podia estragar uma surpresa que planejava há dois meses assim, eu não podia contar meus planos pra ela.

Depois de uma discussão daquelas, eu morrendo de rir por dentro, mas tendo que manter a pose de ofendido por ela não confiar nas minhas decisões e ela achando que eu a estava enrolando, combinamos que ficaríamos noivos em março de 2012 e nos casaríamos em julho de 2012. Detalhe que eu sempre falava que não ia ter nada de especial no meu pedido, que quando eu comprasse as alianças (que já estavam compradas), nós já colocaríamos no dedo e pronto, que esse negócio de pedido especial era frescura (hahaha, ela ficava brava toda vez que eu falava isso, porque ela acreditava que eu estava falando sério).

Ânimos acalmados, fomos viajar. Eu com a aliança 24 horas no bolso e ela sem nem se lembrar do assunto, já que estava tudo certo que o noivado seria em março e o casamento em dezembro. Chegamos à Bolívia dia 21 de dezembro de 2011. Fomos pro salar de Uyuni, pegamos neve no natal em meio ao deserto boliviano. Após o natal partimos pra La Paz e no dia seguinte, dia 27/12/11 fomos pra Copacabana, conhecer o tão sonhado Titicaca. Tudo com a aliança escondida no bolso, aguardando o momento oportuno.

No dia 27 de dezembro nós alugamos um barco e fomos a um criatório de truta na beira do Titicaca pra almoçar. Lá você escolhe o peixe que quer comer vivo, eles limpam e servem o peixe pra você em questão de 20 minutos. O tour com almoço saiu por R$ 32,00, muito barato.

Quando estávamos no barco, indo pro criatório de truta, minha namorada vira pra mim e fala: “se você não fosse tão chato, esse seria um lugar perfeito pra me pedir em casamento”. Eu retruquei de pronto que a gente já tinha conversado sobre esse assunto e que seria em março.

No dia seguinte, nós iríamos fazer o tour para a ilha do sol. A isla del sol é uma ilha no lado boliviano do lago, onde os incas acreditavam ter nascido  Mama Ocllo e Manco Cápac, fundadores do império. O visual do lugar é incrível e indescritível. Estar lá é como estar em Machu Picchu, somente quem já foi pode compreender a grandiosidade e beleza desses lugares.

Descemos no lado norte da ilha e seguimos o caminho da trilha, para ir à mesa de sacrifício, um sítio arqueológico inca existente na ilha do sol. Um pouco antes de chegar às ruínas, nós paramos para respirar e descansar um pouco. É uma grande subida a mais de 3.800m de altitude do nível do mar. O ar frio e o sol quente castigam, mas o visual daquele imenso lago azul turquesa brinda os olhos e acalma a alma dos fatigados viajantes que fazem a trilha.

No fundo do Titicaca há uma cidade submersa. Nós estávamos sentados olhando exatamente na direção de onde ficava essa cidade, subterrada por vinte metros de água doce e azul do Titicaca. Embebida naquelas paisagens lindas ela falou novamente que ali seria um bom lugar para nós ficarmos noivos. Pelo planejado, eu iria fazer o pedido às beiras do Titicaca, mas no dia seguinte, que seria quando faríamos um ano e seis meses de namoro.

Não aguentei mais esperar e, ali, no meio do Titicaca, no altiplano boliviano, defronte a misteriosa cidade submersa, tendo como testemunha o céu infinitamente azul se confundindo com o lago, eu coloquei a mão no bolso, saquei as alianças e a pedi em casamento.

Após os beijos emocionados e toda a comoção do momento, eu contei que já havíamos marcado a data para o dia 18 de março de 2012, e que passaríamos o aniversário dela casados em lua de mel

Foi assim que o Titicaca e a isla del sol entrou pra sempre em nossa história. Agora, após um ano, retornaremos no mesmo lugar e dia, se Deus quiser, pra comemorarmos esse um ano de muitas alegrias.

O melhor de tudo é que ela nem desconfiou de nada. E ninguém, de todas as pessoas que estavam ajudando a arrumar o casamento, das pessoas da família, dos amigos, ninguém contou nada, nem deixou nada escapar, tornando possível a surpresa toda. Para as noivas de plantão, apesar de só ter sobrado apenas dois meses e meio pra organizar o que faltava da festa, nosso casamento foi lindo e deu tempo de sobra.

Olha a noiva aí com o Lago Titicaca ao fundo

 

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O casamento carioca

O casamento vietnamita
Texto: Alexandre; Edição: Jackeline Mota; Foto: Arquivo pessoal do Alexandre

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Publicado por Jackie Mota

Uso minha formação em jornalismo e minha experiência organizando as viagens da minha própria família para escrever posts didáticos e detalhados para poupar o SEU tempo. Nos meus textos você encontra informações práticas apuradas com responsabilidade e organizadas de acordo com as necessidades do viajante. Referências histórias e análises sobre a política e impactos do turismo também estão presentes no meu trabalho para que você viaje bem informado, seguro e consciente - sou especialista em Relações Internacionais e Mestre em Estudos Estratégicos da Segurança Internacional.

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Comentários

  1. 21 maio 2014

    Em um acontecimento MUNDO PEQUENO conheci esses dois num ônibus indo de Copacabana (sim, essa mesma da história!) pra La Paz. O papo começou com ‘ah, eu sempre tô escrevendo lá no mochileiros, dando pitacos, escrevendo relatos’ ‘ah, eu tb’… e descobrimos que já nos conhecíamos virtualmente!

    Mas essa história desses dois é linda =) um casal mega fofo que ficou na memória de viagem também!

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