A rica história de Istambul

por Jackie Mota 29.jul.2015

Bom, agora que já deixei registrado aqui minhas impressões de Istambul e já comuniquei que ela levou meu título de “A cidade a se conhecer”, vamos começar a falar objetivamente deste cidade fascinante, atualmente a maior da Turquia e 5ª maior do mundo com cerca de 13 milhões de habitantes na área metropolitana.

Leia aqui minhas impressões pessoais de Istambul

Turquia Istambul história impressões

Para começar

Acho que para começar a falar de Istambul é necessário esclarecer:

1. Istambul não é capital da Turquia (isso desde 1923, quando a República foi reconhecida);

2. A cidade nem sempre teve esse nome;

3. A cidade é cortada duas vezes pelo mar. O Estreito de Bósforo liga o Mar Negro, no Norte, ao Mar de Mármara, no Sul, dividindo Istambul entre a Europa e a Ásia. Já o estuário do Chifre de Ouro (ou Corno de Ouro) corta horizontalmente a parte européia de Istambul. Conhecer minimamente estes pontos de referência vai te ajudar muito a se guiar na cidade.

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Portão no Palácio Dolmabahce se abrindo para o Bósforo

E, se você quiser se guiar um pouquinho pelos séculos e séculos de história de Istambul, seus muitos nomes, povos e culturas, destaquei abaixo apenas alguns fatos marcantes de sua história e depois indico um livro para quem quiser se aprofundar.

Que importância tem um nome?

Você já sabe, claro que Istambul nem sempre teve esse nome e que já foi Constantinopla. Mas, muito antes disso acontecer, ela foi BizâncioAugusta Antonina e Nova Roma. Segundo seu mito fundador, Bizas – filho de Poseidon e Keroessa (e essa, por sua vez, era filha de Zeus e Ios) – veio da Grécia em busca de um local para fundar uma nova colônia orientado pelo Oráculo de Delfos. A profecia dizia que o local ideal era aquele “Do lado oposto ao cego”. Diz a lenda que Bizas entendeu que seria o local seria a costa do Chifre de Ouro, que é naturalmente protegido. O sinal para ele foi a existência de uma colônia grega no lado oposto ao Chifre, no litoral asiático da Calcedônia. Como a localização do lado oposto era muito melhor, Bizas considerou que eles só podiam “ser cegos” por terem escolhido aquele lado. A nova povoação chamou-se Bizâncio em homenagem ao fundador.

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Rua no bairro de Galata, no lado europeu

A fundação de Bizâncio data de 657 A.C. A localização que os “cegos” não viram foi um dos principais trunfos para a cidade prosperar, pois podia cobrar impostos dos navios que trafegavam pelo Bósforo. Logo, tornou-se um grande mercado e, claro, também, alvo das investidas de outros povos. Assim, Bizâncio foi  submetida pelos Persas, depois ficou sob o pode der Atenas, fazendo parte da Liga de Delos contra a qual se revoltou algumas vezes, foi ocupada por Esparta após a Guerra do Peloponeso, voltou a ser livre, e voltou à  influência de Atenas.

Em 79 A.C Bizâncio foi incorporada ao Império Romano, com status de estado livre. E foi graças ao apoio ao lado perdedor na disputa pela sucessão romana em 193 d.C. que foi destruída e uma nova cidade construída em seu lugar. Sétimo Severo, agora imperador romano, realizou um cerco à cidade que apoiara seu oponente e a queimou completamente. No entanto, Severo utilizou o mesmo local para reconstruir a cidade, com o dobro do tamanho de Bizâncio, incríveis muralhas e um Hipódromo, e chamou a cidade de Augusta Antonina.

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Grand Bazar

No século IV, Diocleciano decretou que o Império Romano deveria, depois dele, ser governado por coimperadores, um para o Oriente (com a capital em Augusta Antonina) e outro para o Ocidente, com capital em Roma.  Mas, como a divisão suscitou uma guerra entre os coimperadores, a cidade ainda se tornaria o centro do mundo conhecido até então. Em 324, Constantino reuniu o império novamente sob um único imperador. A capital ficou no Oriente, que em 330 passou a se chamar Nova Roma. No entanto, o nome que “pegou” mesmo foi Constantinopla, a cidade de Constantino. Os imperadores da “Roma do Oriente” ou de “Constantinopla” ficaram conhecidos como Bizantinos. Portanto, quando vemos esse nome, ele está se referindo à continuação do Império Romano no Oriente.

Enquanto a Europa se assustava com as investidas dos povos bárbaros – Roma foi tomada e saqueada em 476 d.C. -, Constantinopla prosperou, mas não sem se proteger. O imperador Teodósio construiu muralhas ainda maiores, reconstruindo-as rapidamente após um terremoto. Essas muralhas ainda hoje podem ser vistas e protegeram a cidade de maneira decisiva ao longo de séculos, resistindo a uma série de invasões árabes e búlgaras. Também foi Teodósio quem construiu a Basílica de Santa Sofia (que foi destruída em um incêndio). O imperador bizantino mais famoso, no entanto, foi Justiniano, que junto a sua esposa Teodósia, construiu obras impressionantes, como a Pequena Santa Sofia, Santa Irene, a Cisterna da Basílica e a Nova Hagia Sophia (537 d.C), a catedral de Constantinopla.

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Muralha em Sultahnamet

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Resquício de via romana

Na virada do milênio a poderosa Constantinopla enfrentava as investidas do império turco vindo da Anatólia, a concorrência comercial da rica Veneza e as investidas dos cavaleiros cruzados, além de disputas internas pela sucessão. Foi graças a mistura de vários fatores destes que em 1204 foi saqueada pela IV Cruzada, liderada pelo doge de Veneza Enrique Dandolo. Dandolo é um desses personagens inacreditáveis da história e liderou a operação quando já tinha mais de 85 anos e estava cego. Ele controlou parte da cidade, incluindo a Hagia Sophia, que foi convertida em igreja romana. Hoje, pode-se ver o túmulo de Dandolo no museu que funciona no local.

Foi durante este saque que os cavalos de São Marcos (a quadriga) foram retirados do Hipódromo de Constantinopla e levados para Veneza, onde foram colocados na Basílica de São Marcos.

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O túmulo de Henrique Dandolo

O poder Bizantino seria restabelecido apenas meio século depois, com a liderança de Miguel. O império só foi definitivamente desafiado pelos otomanos – como ficaram conhecidos os seguidores de Osman, ou o Guerreiro da Fé, morto em 1324 e cujo filho se tornou o primeiro sultão. Em 1394 e 1440 os otomanos não conseguiram tomar Constantinopla, mas sob a liderança de Mehmet II (ou Maomé II) finalmente obtiveram a vitória em 1453. Com a conquista, a Hagia Sophia foi convertida em mesquita e e a Fatih Camii (Mesquita do Conquistador) e o Palácio TopKapi construídos. Constantinopla ganhava mais uma camada de uma nova cultura sobre sua história.

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O Império Otomano tornou-se uma das maiores forças militares do mundo e se expandiu incluindo territórios no Oriente Médio, Leste Europeu e Norte da África e vencendo disputas contra gigantes como a Rússia (Guerra da Criméia, 1853-1856). Mesmo já tendo deixado o tempo de exuberância dos sultões para trás, Constantinopla ainda era uma das cidades mais importantes do mundo. O governo seguia com suas construções magníficas, como o Palácio Dolmabahçe que ficou pronto em 1856 e tem um estilo mais europeu para substituir o Topkapi, e o famoso Expresso do Oriente estendeu sua linha até a cidade em 1889

O império se esfacelou após a I Guerra Mundial, na qual havia lutado ao lado dos alemães, e Constantinopla foi ocupada pelos britânicos. Em maio de 1919 os gregos invadiram o país na execução do seu “Megali Idea“, ou grande plano: um novo império grego do qual fariam parte todos os territórios que já haviam estado sob sua influência. A capital seria, adivinhem quem? Isso mesmo, Constantinopla. Um movimento nacionalista turco, então, enfrentou os invasores (gregos, italianos e franceses) e promoveu a abolição do império e do sultanato, a independência do país, a proclamação da república e a transferência da capital de Constantinopla para Ancara. Além disso, Constantinopla agora se chamaria Istambul.

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Ok, e se Bizâncio se referia a Bizas e Constantinopla a Constantino, a quem se referia Istambul? A nenhum fundador ou reconstrutor. A explicação é que sempre se referiram a Constantinopla (ou Bizâncio, Nova Roma, Augusta Antonina etc) como simplesmente “a cidade“. Em grego a expressão para a cidade seria “eis ten poli”, /eistenpoli/, então vem daí istambul. Seu nome atual não homenageia ninguém, a não ser ela mesma, essa grande cidade.

Livros sobre Istambul

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Na Amazon.com.br você encontra vários livros, impressos e para Kindle, para aprender mais sobre Istambul. No planejamento de nossa viagem utilizamos o Istambul – Coleção Lonely Planet e eles têm um mais atual, o Lonely Planet – Istambul – Guia Da Cidade. Neste guia a autora indica como uma excelente leitura sobre a cidade o livro Istanbul: The Imperial City.

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Publicado por Jackie Mota

Uso minha formação em jornalismo e minha experiência organizando as viagens da minha própria família para escrever posts didáticos e detalhados para poupar o SEU tempo. Nos meus textos você encontra informações práticas apuradas com responsabilidade e organizadas de acordo com as necessidades do viajante. Referências histórias e análises sobre a política e impactos do turismo também estão presentes no meu trabalho para que você viaje bem informado, seguro e consciente - sou especialista em Relações Internacionais e Mestre em Estudos Estratégicos da Segurança Internacional.

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Comentários

  1. Veramaria
    13 jun 2017

    Adorei seu resumão sobre Istanbul. Fiquei ainda com mais vontade de conhecer esta cidade, mas os tempos atuais não me aconselham. O interesse em saber mais surgiu das leituras de O Caçador de Pipas e depois de Istambul, ambos de Orhan Pamuk.

  2. 28 abr 2017

    Cidade mais linda do mundo. Postagem maravilhosa do seu blog, Jackie. Tem que trazer Sosso aqui!!!! 😀

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