Esperando 2014 – offline

por Jackie Mota 25.jan.2014

Nem sempre a vida respeita as compartimentações do tempo que a gente cria já nos lembrava Hobsbawm ao falar de um “breve século XX”. Pois eu experimento isto agora, enquanto ainda vivo um longo 2013. Pois é, já se passou mais da metade de janeiro e minha vida segue como em 2013. E a previsão é de que meu 2014 só chegue lá para fevereiro/março mesmo. Praticamente uma vivência concreta da idéia de que, no Brasil, o ano só começa após o carnaval.

Pensar nisso é um pouco frustrante, já que 2013 foi O ano mais lento e não conclusivo ever. Tanto que está precisando tomar um tempinho emprestado do ano seguinte para conseguir colocar um ponto final na sua existência. Pelo menos, o que está projetado para 2014 está tão promissor que me dá forças suficientes para aguentar este longuíssimo 2013.

No ano passado (ou nesse ano que ainda não acabou) viajamos pouquíssimo. Os compromissos de estudo e trabalho foram muitos, para nós dois, e conciliar as agendas foi quase impossível. O blog também ficou bem paradinho, embora não tenha faltado assunto. Uma das metas de 2012 era, inclusive, colocar as postagens daquele ano em dia. No fim das contas a coisa pouco andou e ainda tem viagens de fevereiro de 2012 esperando para serem compartilhadas (alô, Machu Picchu!).

No entanto, se viajar pouco e ter pouco tempo pro blog nos deixou tristes, a gente soube aproveitar a chance de parar e repensar (tudo!) que 2013 nos trouxe. Enquanto fomos obrigados (eu, pelo menos) a permanecer muitas e muitas horas no computador trabalhando, decidimos viver mais longe dele em todo os momentos em que pudermos escolher. E assim nasceu uma resolução de 2013: viver mais desconectados.

Começamos a implementar isso após nos mudarmos de apartamento e tem sido ótimo. Estamos atrás de dias mais zen e calmos e desligar TV, celular, ipad e computador ajudam muito. Ainda continuamos hiper conectados para o padrão de quem viveu até a idade adulta na era pré-internet, claro, e usamos, de fato, tecnologia para muita coisa. Mas conseguimos otimizar este uso e deixá-lo mais produtivo. Pretendo falar mais sobre isso no Dépaysement, “ano que vem”, mas por aqui adianto que isso terá impactos no blog, já que a idéia é seguir zen, em qualquer lugar do planeta.

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Mais ou menos isso | Foto: Primer Magazine

Não, não pretendemos postar menos (até porque seria melhor logo fechar a vendinha, né?). Mas percebemos como o fato de “sermos blogueiros” modificou nossa forma de viajar. E decidimos não permitir esta mudança. Pretendemos, sim, e, cada vez mais, compartilhar nossas experiências de forma a ajudar quem pesquisa para viver as suas próprias aventuras pelo mundo. No entanto, entenda, leitor querido: adoramos sua presença e nos dedicamos mesmo a fazer posts úteis e interessantes para vocês, mas queremos viajar por nós dois, pela nossa família, e não pelo blog.

Na prática isso significa viver a viagem mais offline, centrada nela e em nós para que ela seja completa e intensa e que quando a compartilhemos aqui, na semana, mês ou até mesmo ano seguinte possamos relatar uma experiência real de viajante. Talvez, infelizmente, a preocupação com blogar modifique sim o viajante. Somos contra qualquer tipo de imposição, como locais a visitar, dias a dedicar a um destino etc e não podemos admitir uns certos “tem que” que foram se instalando em nossas andanças. Estamos cortando o “ter que” registrar pro blog, ter que anotar dados práticos, ter foto para ilustrar um post sobre o assunto x, ter na ponta do teclado a “melhor forma de explorar a cidade fulana e sicrana”. Não. O blog é nosso e não ao contrário. O blog é para dividir nossas experiências e não para motivá-las (nada de #projetoviajesim). Então, não “temos que” nada.

Para garantir que, um dia, quando for compartilhar tudo aqui no blog eu consiga acessar bem minha memória, voltarei a uma prática que sempre amei e que, com câmera digital e celular, havia abandonado um pouco: o diário. Escrever é mesmo meu melhor modo de registro do mundo, pois ao escrever eu não apenas copio dados, mas interpreto a vida. Essa forma, analógica, pretendo resgatar no registro das viagens de 2014, assim como tenho resgatado a leitura de livros no meu dia a dia, outra paixão que andava abandonada.

Por tudo isso, esse foi o ano de recusar convites para “fam trips”, viagens oferecidas por um destino ou agência para que a mídia conheça um destino (não chamo de patrocinada, pois, a meu ver, patrocinada envolveria um pagamento, o que não foi o caso dos convites recebidos, mas enfim, essa é outra discussão). Podemos vir a viajar assim um dia? Sim, mas somente se um destino que nos interesse (e não o contrário) nos convidar e nos deixar conduzir nossa viagem, como faríamos, eu e Rômulo, e não o blog. Viagens completamente prontas, onde o convite já chega com um itinerário a seguir é exatamente o contrário do que buscamos: mais e mais liberdade ao viajar.

Talvez o que estejamos buscando seja aquela velha sensação que afinal nos motivou a criar a blog: a sensação de estar viajando. Antigamente ir pra outro estado já significava sair completamente da nossa rotina. Afinal até a década passada uma ligação interurbana era cara, viu? A gente realmente se desligava da nossa casa. Estar em outro país nos afastava de qualquer notícia do “nosso mundo”. Imagina só então como nos isolava do desenrolar da dieta da nossa vizinha ou do desenvolvimento do cachorrinho dos nossos amigos? Completamente! Viajar era realmente sair da sua vida comum. Hoje com FB, twitter, insta, whataspp etc muitas vezes a gente só percebe que alguém está viajando, e não em casa na nossa mesma cidade, pela mudança nos locais em que dá check in no Foursquare e cenário das fotos compartilhadas. E quando a pessoa volta a gente nem tem por que perguntar: ” e aí, como foi? do que mais gostou?”, porque a gente já sabe.

Mas nós queremos cada vez mais “estar viajando”. Estar fora de casa, antes da viagem (ao planejá-la), durante (curtindo-a!) e depois, (dividindo-a aqui e pessoalmente com os amigos). No livro “A arte de viajar”, Alain de Botton escreve algo que a viagem nos proporciona e que acreditamos que só podemos realmente viver se nos entregarmos a ela e não mantendo os laços da rotina. Ele diz: “Vivemos afogados em conselhos que nos prescrevem os lugares até onde deveríamos viajar; mas muito pouco nos é dito sobre o porquê e o como de viajarmos – embora a arte da viagem parece dar espontaneamente azo a um certo número de questões, que não são nem demasiado simples nem demasiado triviais, e cuja ponderação poderá constituir uma modesta contribuição para o entendimento daquilo a que os filósofos gregos tão maravilhosamente chamam eudaimonia ou plenitude humana“‘.

 Então, é isso. Queremos conseguir mais das viagens. E achamos que conseguiremos isso não apenas viajando mais vezes, mas mergulhando na viagem, saindo de casa, da rotina: estando longe. No fim, acredito que para o leitor pouca coisa vá mudar. Espero até que pareça, para você, que estamos muito mais online, porque espero que haja mais postagens. Mas para nós, muda muito. Muda o dia a dia, que afinal é do que a vida é feita, e muda a nossa relação com amigos e pessoas próximas. Parece um paradoxo, mas é mais ou menos isso: queremos ficar mais “longe”, para ficar mais perto.

As viagens de 2014

Bom, e o que nos espera no ano que vem? Em 2014 já temos duas viagens agendadas, com passagens emitidas e mais uma em estudo. A primeira é em fevereiro e, como 2013 tá me dando muito trabalho, ainda nem está completamente fechada. Emitimos passagens para Caracas (no Smiles, depois de esperar por meses e conseguimos por 10 mil o trecho, ê) e pretendemos ir a Los Roques e mais um destino no país. Mas ainda estamos negociando com a agência, pousada etc, então mais para frente faço um post só sobre esse planejamento.

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Foto: Wikimedia

Depois, em maio, faremos a viagem mais longa das nossas vidas até agora. Serão 34 dias direto fora de casa, passando por vários países e fazendo programas completamente opostos dentro da mesma viagem. Quer ver? Na ida para o Sudeste Asiático, faremos uma parada nos Estados Unidos, coisa rápida, três diazinhos (duas noites). Nesse pit stop aproveitaremos para conhecer Los Angeles e ir à  Disneyland.

De lá, embarcamos em vôos demoraaados até Bangkok, na Tailândia. Serão 19 dias e noites por ali. O roteiro asiático é difícílimo de fazer: tudo nos atrai na região e a viagem foi motivada por uma promoção de passagem, então não é para onde sempre imaginamos que seria nosso primeiro destino na Ásia, China e Índia. A promoção era para a Tailândia, então possivelmente visitaremos este país e seus vizinhos mais próximos. Mudamos de idéia toda semana, mas atualmente estamos tendendo a visitar o Myanmar e o Cambodja (mas já passaram pela lista Vietnã e Laos também). No roteiro atual, visitamos na Tailândia além de Bangkok, Chiang Mai e Koh Samui.

E aí, na volta da Ásia, paramos em Nova York para onze dias e dez noites. Queríamos ir a NY desde 2009, então estamos animadíssimos e com mil anotações para essa viagem.

A outra viagem do ano ainda está em estudo, dependendo de confirmações acadêmicas e de uma boa passagem aparecer, mas é para Espanha. Espero muito que dê certo, afinal tem 5 anos que fomos à Europa já. De qualquer modo, ainda temos uns 15 dias para viajar no  “ano que vem”.

E você, já tem resoluções para o seu ano novo?

Texto e edição: Jackie; Fotos: Wikimedia e Primer Magazine

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Publicado por Jackie Mota

Uso minha formação em jornalismo e minha experiência organizando as viagens da minha própria família para escrever posts didáticos e detalhados para poupar o SEU tempo. Nos meus textos você encontra informações práticas apuradas com responsabilidade e organizadas de acordo com as necessidades do viajante. Referências histórias e análises sobre a política e impactos do turismo também estão presentes no meu trabalho para que você viaje bem informado, seguro e consciente - sou especialista em Relações Internacionais e Mestre em Estudos Estratégicos da Segurança Internacional.

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Comentários

  1. Mariana
    26 jan 2014

    Muito legal. Tem muito blog de viagem que ficou tão profissa que perdeu a graça. Quero mto saber dessa viagem à Venezuela. Morro de vontade de conhecer Caracas, pq estudei a arquitetura moderna de lá e é incrível, mas li relatos horríveis de violência e falta de segurança, e como viajo sozinha, fico com receio.

    • 27 jan 2014

      Oi Mariana, que bom que gostou. Olha, não iremos a Caracas, justamente por causa da falta de segurança.
      Agora fiquei super morrendo de vontade lendo seu comment sobre a arquitetura do lugar…mas infelizmente avaliamos que seria melhor não ir por enquanto. Mas espero, sinceramente, que nos pproximos anos as coisas mudem e a gente consiga conhecer a cidade.
      Dessa vez só passaremos pelo aeroporto de Caracas mesmo.
      bjs,

  2. Pri Iglesias
    25 jan 2014

    Boas resoluções, Jackie! 🙂 bjo

  3. 25 jan 2014

    Curti muito o post e me vi em alguns trechos, especialmente em como não permitir a inversão dos padrões, de viajar, ver e sentir para nós e não para o blog. O que chegar ao blog, quando e se chegar, terá sido por uma decisão e inspiração posterior, da etapa após a viagem. Nem minhas fotos possuem relação direta com o blog e digo, às vezes, quando estou escrevendo sinto falta de alguma imagem que deixei de registrar. Nunca fiz quaisquer anotações práticas, pois meu blog é um diário, uma viagem interior, onde as histórias servem para serem lidas como capitulos de um livro – se fosse diferente, acho que iria interferir demais em minha visão de tudo. Desconectar ainda é um anseio, que aos poucos irei satisfazendo, também. Que seus planos sempre se realizem!

    • 27 jan 2014

      Que bom que gostou, Paula. Estamos com algumas resoluções pra desconectar, por exemplo, não ligando as notificações no celular, instituindo horários pra usar internet etc. Tem sido bastante proveitoso.
      abs!

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