Como não ficar doente em viagens: dicas de um médico viajante

por Rômulo Elizardo 14.out.2015

Curtiu o título ao estilo “trago a pessoa amada em 3 dias”? Pois é, só que assim como a promessa de amor instantâneo, prometer saúde eterna é impossível, em viagens ou qualquer momento da vida. No entanto, minha experiência acumulada em viagens, em anos de plantões em emergências e com um quase mestrado em saúde pública me deram a certeza de que a maioria dos viajantes que adoecem poderia ter evitado essa situação com atitudes preventivas muito simples. Neste post, eu trago dicas para te ajudar a evitar ter que passar pelo perrengue de cair de cama durante uma viagem. Leia abaixo quais são essas atitudes, minhas dicas para não ficar doente em viagens.

Dicas para não ficar doente em viagens

1. O básico: água

Beber água é fundamental para a sáude e todo mundo sabe, mas nem todo mundo faz, muito menos durante viagens. Seja porque a água do frigobar é cara, seja porque está frio ou até para evitar ir ao banheiro toda hora. Mas é fundamental e muito males podem ser evitados com uma boa hidratação. Você não precisa beber só água, pode beber sucos e outros líquidos (não alcóolicos, a cervejinha não conta, tá?). O importante é manter a hidratação. Se o argumento da saúde não te convence e você acha que está bacana evitar ir ao banheiro para otimizar o roteiro do dia, lembre-se que se você ficar desidratado pode se sentir fraco, ter tonturas e até desmaios, vai ter uma aparência de cansaço (com olheiras!), pode desenvolver dor nos rins (você já teve dor nos rins? não queira!) e daí para sintomas mais sérios. Melhor não arriscar sua viagem e sua vida, né?

2. Vá ao banheiro

Ah, lá vem o papo nojento. Médico adora falar de cocô. É, pois é, mas antes de falar sobre como evitar aquela sensação de “prisão” quando não se está em casa, vamos falar de coisa mais simples: xixi. Por que? Bom, se você é mulher vai ter uma infecção urinária uma vez na vida. E sabe como isso é ruim, né? Há vários motivos para a infecção, mas o conjunto ingestão de pouca água + xixi preso por muito tempo é uma fórmula bem certeira para se obter uma infeção urinária. Então a receita é simples: antes de sair do hotel, restaurante ou qualquer lugar com banheiro, vá lá fazer um xixizinho. Afinal você não sabe quando e onde terá banheiro novamente, não?

Mas e o número 2, tem problema ficar “preso”? Pois é, tem sim, mas apenas depois de alguns dias. Nos primeiros dias você sentirá um desconforto, vai ficar com barriguinha saliente e pode ter aquele mal humor. Mas você só deve se preocupar se estiver constipado por 3 dias. Neste caso procure um médico e peça um medicamento. Para evitar chegar a esse ponto lembre de aproveitar o pão integral (grátis) do café da manhã, comer um mamãozinho e…beber água (eu não já disse isso antes?).

3. Deixe tudo sair

Achou que o papo nojento tinha acabado? Calma que tem mais um pouquinho. Muita gente toma decisões erradas para sua saúde, mas o corpo não, ele sabe o que faz, viu? Então, quando você ingere algo que irá fazer mal a você ele simplesmente põe para fora, via vômito ou diarreia. Mas ninguém gosta de ficar com diarreia e aí, faz o que? Toma logo um remédio para “segurar”. Pois é, está errado. Não faça isso! Se você tiver diárreia, segure o ritmo da viagem, hidrate-se muito (beba água!) e espere passar. Só tome algum medicamento depois de 3 dias, de preferência após ver um médico. Se você parar a diarreia antes do que o corpo precisa estará mantendo algo ruim dentro de você e as complicações podem ser graves.

4. Prepare-se para a estação

Eu sei que nem todo mundo gosta de pesquisar sobre o destino antes da viagem, mas veja pelo menos qual será o clima do local para ir preparado.Se estiver calor ponha roupas leves na mala e leve proteção para a cabeça. Faça um roteiro tendo em conta os períodos de sol e evite se expor nos horários de pico. Não esqueça de passar filtro solar sempre e também nos braços e pernas. A Jackie esqueceu de proteger os braços em Lima e ficou com uma linda marca de camiseta. Que cafona! O melhor é que ela tinha um casamento para ir poucos dias depois dessa viagem, foi bem legal #soquenão.

O conjunto exposição ao sol com ingestão de pouca água é um sucesso para se obter insolação. Aqui no Rio muitos turistas têm. Siga os conselhos acima e caso comece a sentir mal (enjôos, dor de cabeça, tontura) ou ver que sua pele está muito vermelha vá para a sombra e se hidrate aos poucos. Não se enfie logo embaixo de um chuveiro ou entre no mar gelado com o corpo super quente, pois você pode ter um choque térmico. Caso você vomite, vá direto a um pronto-socorro.

Já em climas muito frios os problemas mais comuns, além de resfriados, são com extremidades do corpo, como dedos dos pés e das mãos. Para todos o cuidado mais importante é se agasalhar bem. Não esqueça de levar cachecol, luvas e meias bem quentinhos e sapatos impermeáveis. Outro risco no frio é esquecer de se hidratar. Fique esperto e (você já sabe!): beba água.

5. Garanta a vista

Não é dica para procurar um hotel com vista da cidade, não. Você usa óculos? Então assuma-os! Afinal você quer realmente ver o que vai visitar, né? Ficar sem óculos quando você precisa deles pode lhe dar dor de cabeça e atrapalhar seus planos. Se você prefere as lentes de contato tenha cuidado redobrado na limpeza. Recomendo usar lentes descartáveis diárias, pois vamos combinar que em viagens corridas ninguém quer perder tempo pela manhã e à noite para limpar as lentes. E quando se usa lentes a limpeza bem feita é extremamente importante. Lentes sujas podem gerar fungos e causar complicações sérias nos olhos.

Não esqueça dos óculos escuros. Locais como desertos e estações de ski requerem óculos escuros o tempo todo. Compre óculos de qualidade, pois óculos sem fator de proteção podem queimar sua retina. No Salar de Uyuni mesmo com óculos o tempo todo sentimos ressecamento nos olhos. Se for para ambientes secos assim leve um vidrinho de soro fisiológico para hidratar os olhos caso tenha ressecamento.

6. Deixa queimar

Um acidente que também ocorre muito em viagens é queimadura. Com fogo, água viva, líquidos ferventes. O importante é não passar nada no local queimado e correr para um pronto-socorro. Isso mesmo: não passe nada no local queimado. Apenas água corrente fresca. Se você passar algo, quando chegar no hospital terão que retirar e, aí, vai doer muito ao esfregar sua queimadura. Queimou, lave com água e deixe assim, sem nenhuma substância por cima, e vá logo procurar atendimento médico.

7. Cabeça, ombro, joelho e pé

Ok, na verdade esse tópico não fala de cabeça, mas eu queria usar o trecho da musiquinha infantil #medeixa. Em resumo, a dica aqui é: tenha pena do seu corpo. Vai andar muito? Leve calçados confortáveis, mesmo que eles não sejam os mais bonitos. A Jackie já deu aqui uma dica para quem não curte usar tênis esportivos, as palmilhas de silicone que você pode usar em qualquer sapato, tornando-o mais confortável. Evite saltos, pois são piores caso você caia ou se estiver andando em terrenos com desnível, pode acabar torcendo o pé. Não leve muito peso para sobrecarregar sua coluna e escolha bolsas e mochilas que não machuquem seus ombros.

Uma coisa que a gente sempre faz é prestar atenção ao banheiro do hotel quando escolhemos um. Por que? Simples, nada é melhor para relaxar os músculos depois de um dia andando do que um bom banho quente ou, melhor ainda, um bom banho quente de banheira. Hoje também já é fácil levar escalda-pés em viagens, pois estão disponíveis no mercado em formato de sachês, como esse aqui.

E, claro, não poderia faltar o conselho de médico responsável, né? Faça um roteiro leve, sem caminhadas puxadas, e faça sempre exercício físico. Estar com um bom condicionamento físico é uma ótima forma de aproveitar melhor sua viagem.

8. Farmacinha

Vamos às dicas para você montar sua farmacinha de viagem:

  1. Leve sempre os remédios que você costuma usar. Nada de comprar remédios que sua mãe/tia/vizinha/blogueira preferida usa. Leve remédios que foram prescritos para você e que você já usou. Lembre-se de levar medicamentos de uso continuado e de doenças que você eventualmente tem. A Jackie, por exemplo, tem crises de gastrite de vez em quando, então quando viajamos ela leva remédios para isso. Você tem crises de otite, labirintite, sinusite, dor de garganta? Leve seus remédios.
  2. Mas vocês querem as dicas da “automedicação”, não é mesmo? Vamos lá, tenha na sua farmacinha relaxantes musculares, aspirina, um remédio para dor de cabeça, enjôos, azia, antitérmico e antialérgico. É sempre importante consular um médico antes de comprar, mas se você estiver em outro país, vai facilitar sua vida ter esses remédios para um primeiro atendimento.
  3. Para climas muito quentes ou muito frios é sempre bom ter na farmacinha cremes como bepantol e hipoglós, para aliviar ressecamento nos lábios ou assaduras e também soro fisiológico para acalmar a pele do rosto e hidratar os olhos.
  4. Um kit completo de farmacinha, para mim, inclui curativos como band-aid, termômetro e um esterelizante como alcool.
  5. Use miniaturas, já que você usará os produtos apenas para um primeiro atendimento (depois vai procurar um médico, não é mesmo?) e assim você pode levar seu kit na cabine com você durante seu vôo. Afinal você pode passar mal durante a viagem de avião.

9. Seguro

Atenção: Bata a mão no peito e diga o SUS é um exemplo para o mundo! Não entendeu? É que os sistemas de saúde pelo mundo são muito diferentes entre si e, em vários países, um estrangeiro não terá direito a atendimento médico no sistema público local. Em alguns lugares, simplesmente não há um sistema público gratuito e, há ainda aqueles em que nem de graça você iria querer usar o sistema público. O problema é que, nesses casos, os custos do atendimento médico podem atingir cifras exorbitantes, estragando não apenas o seu dia de viagem, mas também te deixando com uma bela dívida na volta para casa.

Há, ainda, alguns países que só permitirão a sua entrada em seu território mediante uma garantia de que, caso você se acidente ou fique doente, tenha condições de arcar com os custos médicos. É o que acontece, por exemplo, nos países da Comunidade Européia que assinaram o Tratado Schengen. Nesses países – entre os quais França, Espanha, Portugal – você é obrigado a ter um seguro de viagem que garanta a cobertura de no mínimo de 30 mil euros em custos médicos.  Outro país que exige um seguro desse tipo é Cuba.

Então, para poder entrar em alguns países e ficar tranquilo de que não voltará com uma bela dívida de qualquer viagem, viaje sempre com seguro. Em alguns casos, você pode conseguir um desses seguros gratuitamente. É simples: se você possuir um cartão de crédito planitum, basta comprar sua passagem com o mesmo (se emitir com milhas, basta pagar a taxa de embarque com o cartão) e solicitar à bandeira emissora do cartão. Prontinho.

Preciso mesmo de um seguro de viagem? Tire suas dúvidas aqui

Agora, atenção: é preciso que você SEMPRE analise as características do seu seguro, em que situações está coberto e quais os valores permitidos. Existem seguros para perfis específicos como gestantes, idosos e praticantes de esportes radicais (confira o que seu seguro considera um esporte radical!).

Caso você não tenha direito a um seguro gratuito pelo seu cartão ou ele não atenda as suas necessidades específicas, basta você adquirir um seguro com uma agência. Nós testamos e somos parceiros da Real Seguro Viagem, que oferece um buscador e comparador de várias empresas de seguro com um só clique. Fiz uma cotação para uma viagem de 15 dias à Europa, por exemplo, e um seguro para o meu caso ficaria a partir de R$ 214,33. Com nosso parceiro você faz tudo online, pode pagar em Reais, com 5% de desconto no boleto à vista ou parcelado em até 6 vezes no cartão, encontra o melhor preço e ainda gera uma comissão para o blog, sem custo extra para você.

Depois de contratar o seguro, não esqueça de levar com você o telefone da central de atendimento.

É isso. Gostou das minhas dicas para não ficar doente em viagens? Tem alguma dúvida ou sugestão de dica para incluir? Compartilhe com a gente nos comentários!

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  • SEGURO VIAGEM: É obrigatório nos países da Europa que fazem parte do Tratado Schengen, além de países como Cuba e Venezuela. Altamente recomendável em caso de gravidez, já que seguros de cartões de crédito não cobrem grávidas, práticas de esportes radicais e outros casos. Os gastos com atendimento médico no exterior podem ser exorbitantes! Nos EUA uma internação diária pode custar cerca de US$ 2 mil e um parto vaginal e sem anestesia em 2018 custa mais de US$ 32 mil. O seguro também te auxilia com imprevistos como cancelamento de viagem e extravio de bagagem. Para encontrar o plano mais adequado para sua gravidez leia esse post. E para garantir o melhor preço pesquise na Real Seguro Viagem, onde você pode pagar em até 6 x sem juros, e na Seguros Promo, onde você pode usar o cupom VIAJESIM5 e ganhar 5% de desconto. E você ainda tem MAIS 5%OFF para pagamento via boleto. Compre já e economize!

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Publicado por Rômulo Elizardo

Apaixonado por ciência e tecnologia. E por mil assuntos diferentes a cada dia. Leitor voraz. Ama viajar e se casar (com a Jackie). Não sossega até ter certeza de ter encontrado o melhor/custo benefício em cada detalhe de uma viagem. Pai de dois buldogues franceses e uma humaninha, é psiquiatra.

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Comentários

  1. 18 jul 2016

    Muito bom o post, e o indiquei em uma postagem onde falo dos perrengues que já passei em viagens, espero que não tenha problema.

  2. 15 out 2015

    Oi Rô e Jack!
    Sobre a água, só acrescentaria ter cuidado na origem dela. Na Europa, em quase todos os lugares, a água da torneira é potável, mas nem sempre é assim na América Latina e na Ásia. Pelo sim, pelo não, sempre andar com a garrafinha de água mineral por ai! Ah! E ainda sobre a água e a hidratação, água termal é uma benção pra tirar olheiras e pra melhorar o aspecto da pele, tanto no frio quanto no calor. Nunca esquecer de passar um creme facial em países muito frios no rosto (Quando fui pra Dinamarca no inverno, arranjei uma queimadura no rosto, porque achei que minha pele era muito oleosa e não precisava).
    Outra coisa bem legal – especialmente pras meninas- é lembrar de usar meias compressivas durante os vôos longos. Assim você não apenas evita o risco de trombose e embolia pulmonar (sim, meninas! vocês tem mais risco e se tomam anticoncepcional o risco aumenta), como não chega com aquele peso nas pernas e aquela retenção nos membros inferiores -sim, você não chegará com aqueles pés de pata choca se usar as meias e ainda por cima não sentirá tanto desconforto. Como existem vários tipos de compressão diferente para as meias, o ideal é procurar um angiologista pra receber a orientação direitinho.
    Fora isso, nunca esquecer de dar aquela caminhadinha básica no avião (isso é ainda mais importante se você não estiver de meia!)
    Nunca-jamais-sobre hipótese nenhuma esqueça que seu pé é o que te mantém firme o dia todo, então creminhos no fim do dia não são frescura (acredite, eu tenho uma coleção de bolhas no pé!) e colocar as pernas pra cima também alivia um bocado.
    Ah! Outro detalhe importante do avião: a alcoolemia sobe lá em cima, tá? (Agora você sabe porque aqueeele vinho te deixou tão feliz!)
    bJ!

    • 15 out 2015

      Perfeito, Carol! Obrigada pelo comment =) Eu uso sempre as meias de compressão, senão incho demais.

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