As várias La Paz

por Jackie Mota 14.fev.2012

Eu já tinha visto fotos de La Paz, claro. De amigos próximos inclusive. Mas nenhuma delas mostrava nem ninguém tinha me descrito a chegada pelo alto de La Paz. Por isso, apesar de ser um destino estudado, eu me surpreendi no primeiro momento. Saindo do aeroporto na van contratada com o hotel andamos pouco tempo em um terreno plano antes de iniciarmos uma grande descida. E aí sim lá veio a visão: uma cidade imensa, cravada num vale, com casas quase todas da mesma cor de tijolo cru.

Essa chegada por cima de La Paz me conquistou. Achei a vista impactante e pedi ao motorista para pararmos para admirar a cidade. Eu estava ansiosíssima para conhecer La Paz, afinal essa viagem já era sonhada há tantos anos. E mais do que a cidade eu queria ouvir as pessoas, saber como andava o país desde a eleição do Evo que eu, ainda na faculdade, tinha acompanhado com tanto interesse.

Comentei com o motorista que não sabia que a geografia da cidade era assim. Ele me explicou que na verdade La Paz é dividida em 3 áreas. El Alto, onde estávamos naquele momento, é hoje já um município emancipado e tem mais de 1 milhão de habitantes. Mas sua origem é de subúrbio de La Paz. Os terrenos das áreas mais altas eram, e são, mais baratos que lá embaixo na cidade, por isso a população mais pobre foi se concentrando ali. Naquela altitude toda, alguns metros abaixo significam alguns graus acima na temperatura, bem como mais conforto por causa do ar. Por isso ali em La Paz a lógica é que os de cima desçam e os de baixo subam.

Assim, as outras duas áreas de Nuestra Señora de La Paz eram a parte antiga, onde ficamos, e a parte mais baixa, onde chegamos a ir não fomos, e onde se concentra a população mais rica. De fato, enquanto circulamos em El Alto nesse e no dia seguinte deu para notar que era uma área em processo de urbanização, uma cidade nova, sendo posta em ordem ainda. Havia várias placas sobre programas de saneamento básico em andamento, por exemplo.
Na segunda área, onde ficamos, sentimos saudades do Detran. É, isso mesmo. Simplesmente porque já sentíamos dificuldades para respirar, devido à altitude, e ao caminharmos pelas ruas recebíamos várias baforadas de fumaça preta. A frota automobilística de La Paz é muito antiga. E composta, arrisco dizer, completamente por micro-ônibus coloridos (não lembram a Jabiraca?) e táxis.

Dentro dessa segunda La Paz também há diferenças. Nas proximidades do nosso hotel, na rua Illampu, era tudo muito movimentado, com muita gente andando pelas ruas já que as calçadas são tomadas por vendedores de tudo o que é coisa. Banquinha de doce, biscoito, frango, pão, papel higiênico, meias, casacos, batata desidratada.Também há muitas lojas, mas não supermercados. Lojas especialmente para turistas, com roupas esportivas e outros itens para os viajantes. No quesito gastronômico o frango frito impera. Pertinho dali, a umas duas quadras, fica o mercado das bruxas, com suas banquinhas vendendo fetos de lhamas. É dessas ruas da “área 2” que você provavelmente já  viu fotos, ruas cheias e muitos indígenas circulando em suas tradicionais roupas coloridas.

Mas, um pouco à frente, na verdade abaixo, La Paz ganha ares de grande cidade da América do Sul. Lugares históricos como conventos e igrejas se misturam aos prédios altos que abrigam bancos, empresas de telefonia, burger king (é, UM só são três filiais do Burger King e McDonalds não tem, foi embora recentemente do país). Descendo a longa avenida quase não se vê mais a “turística Laz Paz colorida”. Exceto pelo trânsito que continua intenso, louco, vomitando fumaça preta.

 

Laja
Mas além dessas três La Paz, conhecemos ainda outra. Foi no dia do passeio à Tiwanaco. Antes de chegar a esse sítio arqueológico passamos por Laja, no altiplano. E Laja vem a ser a La Paz original. É que ali onde hoje há um povoado foi fundada em 1548 a cidade criada para servir de entreposto para o império espanhol, que tinha mais abaixo em Sucre e Potosí importantes produções de prata que precisavam ser transportadas para Lima e de lá para a Europa.

Acontece que dias depois os espanhóis encontraram a localização atual de La Paz, no vale, protegida do vento, com água disponível e mais fácil de ser protegida de ataques. Daí, mudaram a cidade de lugar.

Sin perder la ternura jamás

Mas como eu previa, apesar de La Paz estar na vantagem de ser várias, o que mais me atraiu foi o povo. Extremamente gentis os bolivianos. Conscientes da riqueza que a natureza, a Pachamama, lhes deu. E que lhes foi tirada. Extremamente esperançosos, não houve quem não mencionasse “que dessa vez vai ser diferente”, referindo-se às descobertas recentes de gás natural e, especialmente, de lítio.

Mais uma vez a Bolívia se descobre assentada sobre algo muito valioso. Simplesmente metade do lítio do mundo está no país, em Uyuni. O lítio é usado na fabricação de baterias, para carros, por exemplo e o mundo todo está ávido por ele. Mas dessa vez a Bolívia não quer correr o risco de ser explorada. Por isso, o governo ainda não aceitou nenhuma proposta para explorar as reservas (estimadas em 2 trilhões de dólares). O cuidado é elogiado pelo povo, já escolado na posição de explorado.

Imaginam que se desde a ascensão de Evo e a nacionalização do gás natural tanta coisa pôde ser feita (perdi a conta dos benefícios, para nós tão básicos, mencionados por nosso guia como recém-implantados na Bolívia) com tamanha riqueza como o lítio, o país poderá finalmente sair da lanterninha do desenvolvimento da América do Sul.

Se eu já admirava o povo boliviano antes da viagem, voltei mais certa de minha opinião. Impossível não se solidarizar com quem recebe de forma tão gentil, com sorrisos e suas roupas coloridas, apesar de sua vida cinza e seu passado cheio de manchas vermelho sangue. Impossível não se solidarizar com quem abre as portas de sua casa para você e não perde a esperança de um futuro melhor.

Reserve  pelo Booking o hotel Rosario, em La Paz.

Ou pesquise hotéis em toda a Bolívia no Booking.

Fotos: Arquivo pessoal

ORGANIZE SUA VIAGEM

Espero que tenha gostado deste conteúdo, produzido com cuidado e carinho. Posso te pedir uma coisa? Ao organizar sua viagem, utilize os links abaixo. Todas as empresas e serviços indicados foram testados pessoalmente e são as opções que usamos. Ao utilizar nossos links, você gera uma pequena comissão para a gente, o que nos ajuda a manter o blog e estimula o nosso trabalho. E você não paga nada a mais. Agradecemos muito o seu apoio!

PROMOÇÃO atual: Somente 02 e 03 de dezembro a Seguros Promo está com VINTE % de desconto! Clique aqui e use o cupom MONDAY (E consiga + 5% de desconto para pagamento via boleto bancário) 

  • SEGURO VIAGEM: É obrigatório nos países da Europa que fazem parte do Tratado Schengen, além de países como Cuba e Venezuela;
    Altamente recomendável em caso de gravidez, já que seguros de cartões de crédito não cobrem grávidas, práticas de esportes radicais e outros casos. Os gastos com atendimento médico no exterior podem ser exorbitantes! Nos EUA uma internação diária pode custar cerca de US$ 2 mil e um parto vaginal e sem anestesia em 2018 custa mais de US$ 32 mil.
    O seguro também te auxilia com imprevistos como cancelamento de viagem e extravio de bagagem. Para encontrar o plano mais adequado para sua gravidez leia esse post.
    E para garantir o melhor preço pesquise na Real Seguro Viagem por esse link que te dá 10% de desconto e você pode pagar em até 6 x sem juros, e na Seguros Promo, onde você pode usar o cupom VIAJESIM5 e ganhar 5% de desconto. E você ainda tem MAIS 5%OFF para pagamento via boleto.

Compre já e economize!



Publicado por Jackie Mota

Uso minha formação em jornalismo e minha experiência organizando as viagens da minha própria família para escrever posts didáticos e detalhados para poupar o SEU tempo. Nos meus textos você encontra informações práticas apuradas com responsabilidade e organizadas de acordo com as necessidades do viajante. Referências histórias e análises sobre a política e impactos do turismo também estão presentes no meu trabalho para que você viaje bem informado, seguro e consciente - sou especialista em Relações Internacionais e Mestre em Estudos Estratégicos da Segurança Internacional.

outros artigos de Jackie Mota »

Comentários

  1. Suélen
    02 abr 2016

    Oi Jackie! Primeiro, parabéns pelo blog!!! Estou planejando um mochilãonpo Chile, Bolívia e Peru e está superrrr ajudando! Obrigada!!! 🙂
    E, estou como uma dúvida quanto a hospedagem… Vcs reservaram tudo antes ou ñ? É que li em alguns relatos que o melhor seria ver na hora devido aos imprevistos, mas sempre quando viajo gosto de deixar tudo reservado, justamente para evitar jm previstos! Hahahha como foi a experiência de vcs? Bjo!

    • 18 abr 2016

      Oi Suelen, reservamos antes sim. Realente, tem gente que deixa pra reservar na hora e sempre é possível arrumar alguma coisa, mas eu sou bem chatinha com hoteis (é uma das coisas que mais gosto de escolher!) e prefiro fazer isso antes, não gosto de ficar batendo perna atrás de hotel durante a viagem, acho perda de tempo. Mas é uma decisão pessoal mesmo. A gente só mudou uma parada da viagem, entre tantas cidades, e aí era um hotel reembolsável, um dia antes eu cancelei a reserva e pronto, não teve problema =)
      De resto, ficamos onde escolhemos com antecedência.
      abs,

      • Suélen
        18 abr 2016

        Olá! Vou continuar nessa de reservar, também acho perda de tempo ficar procurando e depois de um dia andando muitooo o que mais a gente quer é dar uma descansada para o outro dia, ou para bater perna à noite rsrs Muito obrigada! Bjo

  2. Tatiana Wolff
    29 fev 2016

    Oi! Adoro seus posts, mas este em especial mexeu comigo! Acabei de decidir dedicar mais dias à La Paz, só para ter oportunidade de conversar mais com o povo! 🙂
    bjs!

    • 02 mar 2016

      OI Tatiana, que máximo! Fiquei imensamente feliz com seu comentário. bjs,

  3. Bia
    04 nov 2014

    Olá Jackie, tudo bem?
    Você não tem um mini guia do mochilão? rs… O de Ushuaia nos ajudou muito 😉

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.