Dos sonhos e das temporadas

Em novembro do ano passado publiquei a imagem abaixo no Facebook e Instagram do blog. Naquele dia eu tinha me dado conta que estava prestes a embarcar não apenas para a viagem mais longa da minha vida até agora, de quase 3 meses, mas também que muita coisa que eu havia desejado estava se tornando realidade.

dos sonhos e temporadas

Junto à foto, escrevi, entre outras coisas que o meu “sonho”, meu “ideal” de viagem era viajar uns 60 dias por ano. Eu já tinha publicado aqui mesmo no Dépaysement que eu nunca quis e não quero sair viajando por longos períodos, simplesmente porque amo a minha casa e a minha rotina, amo viver em um apartamento cheio de coisas com a minha história e na companhia de dois cachorros malucos e um marido ainda mais doido. Amo ter uma rotina e fazer coisas completamente simples, como ir à feira e depois cozinhar para a minha toprinha ou fazer todo dia o mesmo trajeto na caminhada com os cachorros. Então a minha meta, ou sendo muito direta, o meu sonho, era apenas poder viajar por aí 60 dias por ano.

Então, naquele dia eu tinha finalmente feito a matemática e percebido que o que estava sempre na minha mente e coração já não era só sonho. Em 2014, nós já tínhamos viajado (sem contar escapadinhas a Búzios) 45 dias e naquela viagem seriam mais 35 dias. E não só isso. O ano seguinte, ou seja, 2015, seguiria o mesmo modelo, afinal começaríamos o ano viajando 39 dias direto e já temos pelo menos uma outra viagem, de 35 dias, agendada.

dos sonhos e das temporadas

A mesma posição, dessa vez na nossa casa no Porto

Claro que sempre dá para dizer que não era exatamente isso que eu queria porque eu preferia mais viagens, menores, do que longos períodos longe dos meus cachorrinhos. Sim, é verdade, e eu confirmei isso mais uma vez, agora, na prática. Mas para quem quer, sempre é possível, é claro, ver defeitos e erros, não?

Bom, eu preferi ver por outro lado e rir ao perceber que eu estava realizando ainda um outro “sonho”, uma coisa que eu sempre dizia brincando quando queria reclamar do calor carioca: “um dia vou viver no Rio, mas os verões vou passar no hemisfério Norte”. . Done. Viajei em novembro e voltei só em fevereiro. Deu para pegar uns dias perfeitos para ficar reclamando do tempo insuportável do Rio, mas foi pouca coisa, e agora já escrevo tomando café quentinho, de janela aberta, ouvindo o barulhinho das águas de março. Eu prefiro ver, assim. O copo meio cheio.

dos sonhos e das temporadas

Uma tarde qualquer no Porto

E daria para escrever mais alguns tantos parágrafos só com essa visão. Afinal, eu não esperava tão cedo voltar a Londres e muito menos a Liverpool e, menos ainda, poder ter uma “casinha” como tivemos a oportunidade de viver no Porto. E eu decidi continuar olhando as coisas assim. Percebendo que sonhos devem nascer no coração, viver em nossas mentes, mas que nunca podemos deixar de prestar atenção, com olhos e ouvidos, para não deixarmos escapar a chance de os viver e sentir quando eles estiverem na nossa frente no mundo real.

Agora, bom, comecei a curtir essa coisa das temporadas. Assim encarei o retorno: uma temporada de 4 meses no Rio. Pelo menos por enquanto estou trocando as metas de longo pelas de curto prazo. É hora de viver o agradável outoninho carioca que eu adoro, até a próxima viagem.

Cresceu no interior de Minas, sempre cercada de livros. Desde criança tem uma alma antiga. Encontrou no Rio o amor da sua vida, com quem ama viajar e se casar (again and again). É mãe de dois buldogues, Maquiavel e Foucault, jornalista e mestre em Estudos Estratégicos.

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