A casa de quem viaja: Helô

Minha segunda convidada na seção “A casa de quem viaja” é a Helô Righetto, que é formada em design e hoje mora em Londres e escreve sobre o assunto. Conheci a Helô na blogosfera, já que ela mantém um blog pessoal, o Básico e necessário, e escreve também no Aprendiz de Viajante.

Amei ver a casa da Helô e conhecer histórias tão cheias de memórias carinhosas de suas viagens. Adorei especialmente os portares. Reparem na disposição dos quadros nas paredes, cheia de estilo!

A casa de quem viaja, por Helô

“Decoração e viagens são dois temas constantes na minha vida (eu trabalho como editora em um site de tendência para o mercado de interiores e escrevo no blog Aprendiz de Viajante), portanto é natural que minha casa reflita isso.

Eu não sei se a decoração do meu lar doce lar tem um estilo definido, mas uma coisa eu sei que não é: minimalista. Eu gosto de mostrar objetos (funcionais ou não) e de me sentir ‘abraçada’ quando estou de bobeira no sofá ou trabalhando na escrivaninha. E o que me abraça são as memórias, representadas por muitas peças escolhidas pra fazer parte da decoração.

A casa de quem viaja decoração

“Uma das primeiras coisas que comprei em viagem, os posters de Buenos Aires. Meu marido é de lá e visitei a cidade com ele pela primeira vez quando estávamos namorando. Voltei pra lá muitas vezes depois disso, mas essa primeira foi mega especial, e sempre lembro disso quando vejo esses quadros!”

Tenho uma coleção de globos de neve, sempre compro um quando visito um lugar novo, mas além dos meus amados globinhos eu geralmente acabo comprando alguma coisa mais característica do local. Quando tirei as fotos que ilustram esse post, me dei conta de que tenho muita coisa na parede que comprei em viagens, acho que é o que tenho em maior quantidade (quando o assunto é lembrança de viagem) depois dos globinhos.

A casa de quem viaja Decoração

“Dois posters incríveis, gosto tanto deles que nem coloquei em moldura, foram colados direto sobre o papel de parede, no quarto de hóspedes. Comprei no Museu Nacional de Estocolmo, um dia antes de fechar para reforma, estava tudo em promoção!”

Cerâmica é também meu ponto fraco, e pra minha sorte (ou azar do meu bolso, depende do ponto de vista) muitas regiões no mundo inteiro tem tradição em cerâmica. Tenho um canto especial para algumas dessas peças, pois como falei antes, gosto que elas fiquem à vista em vez de escondidas dentro do armário da cozinha.

A casa de quem viaja decoração

Recipiente para azeite, de cerâmica, de Cinque Terre na Itália
; Potinho comprado em Siena, na Itália, e a xícara de cafézinho é mais uma lembrança de Praga com desenho de Alphonse Mucha; Copinhos de cerâmica da Toscana, Itália

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Acho que a lembrança de viagem mais estranha que tenho é um grampeador. Pois é, por que diabos alguém compra um grampeador quando viaja? Pois eu estava em Amsterdã, entrei em uma loja de produtos de design (sempre entro nessas lojas!) e bati o olho no bendito grampeador em formato de peixe. Muita gente deve achar ele horroroso, mas eu morro de amores por tudo que é kitsch, então ele acabou vindo pra Londres comigo! Ou seja, um produto genérico, que não reflete em nada o artesanato ou a cultura local, mas que tornou-se uma memória.

peixe

O famigerado grampeador de peixe comprado em Amsterdã

A peça de decoração queridinha da vez aqui em casa é um quadro feito de marchetaria que compramos em Sorrento, na Itália. A cidade é famosa pelos seus ateliês e o trabalho dos artesãos é uma coisa de louco: super delicado e detalhado. Cada pedacinho de madeira é cortado a mão, e todos os pedaços encaixam-se perfeitamente. O nosso quadro é uma paisagem de Positano, cidade que visitamos logo antes de Sorrento e onde passamos dias maravilhosos. Eu volta e meia me pego parada na frente desse quadro, lembrando desses dias”.

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O quadro da esquerda é o de marchetaria, comprado em Sorrento. O mais para a direita foi comprado em Praga, é uma réplica de uma obra de Alphonse Mucha, artista do Art Nouveau que fazia posters maravilhosos e é um dos meus preferidos. O quadrinho pequeno, na moldura verde, é uma aquarela comprada em Cinque Terre na Itália

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A colher do amor, do País de Gales, um dos souvenirs mais lindos que já comprei. Simboliza, obviamente, o amor, e era entregue para a pessoa amada como uma forma de compromisso (tipo uma aliança).

 casa de quem viaja decoração

“O quadro da esquerda e de um artista da Bahia, eu comprei em uma loja incrível que vende artesanato do Brasil inteiro e fica na rodovia Interpraias em Santa Catarina. A réplica da ‘Moça com brinco de Pérola’ veio do museu do Vermeer em Delft, na Holanda. O da direita foi comprado em Praga – estive lá com o meu pai, o responsável por eu amar literatura. Nós dois somos fãs de Franz Kafka, e chegamos a visitar alguns lugares especiais na cidade para seguir os passos dele. Compramos o mesmo poster, que não apenas mostra uma das nossas paixões em comum mas também nos lembra essa viagem maravilhosa que fizemos juntos”

A casa de quem viaja decoração

Primeira foto, da esquerda para a direita: “Na última vez que fui para Paris vi essas bandejinhas de alumínio com desenhos do Alphonse Mucha (mais uma vez ele!) em todo canto. Não resisti e comprei três. Vou mudando elas de lugar: tenho uma na mesa de centro com velas em cima, outra fica na bancada da cozinha com alguns temperos, e outra no banheiro, pra dar uma enfeitada”.
Segunda foto: “o quadro de cima (esquerda) é da minha primeira viagem a Nova York, em dezembro de 2005 (foi a lua de mel!). É uma aquarela, e o artista estava vendendo em frente ao Metropolitam Museum. Bati o olho e gostei, logo no primeiro dia lá. Abaixo desse, mais um quadro comprado na loja de artesanato em Santa Catarina, esse é de um artista de Pernambuco”.
Terceira foto: “À esquerda, posters comprados no Museu do Prado em Madri (réplicas da Maya Desnuda e Maya Vestida, do Goya). Na direita, no outro lado da porta, mais um poster de Buenos Aires, dessa vez mostrando algumas das tanguerias mais famosas da cidade”.

Texto: Helô; Fotos: Arquivo pessoal Helô

Cresceu no interior de Minas, sempre cercada de livros. Desde criança tem uma alma antiga. Encontrou no Rio o amor da sua vida, com quem ama viajar e se casar (again and again). É mãe de dois buldogues, Maquiavel e Foucault, jornalista e mestre em Estudos Estratégicos.

9 Comments on A casa de quem viaja: Helô

  1. Camila Navarro
    28 de agosto de 2014 at 12:33 (4 anos ago)

    A casa da Helô é tão linda! Cada objeto parece ter um significado especial! Já eu tenho uma certa dificuldade para conciliar o meu perfil minimalista com a minha vontade de espalhar lembranças de viagem pela casa. Tô adorando essa série e aposto que vou me inspirar por aqui. 😉

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    • Jackie Mota
      28 de agosto de 2014 at 12:35 (4 anos ago)

      Também achei a casa da Helô lindona! Espero que tenha boas inspirações, Camila. Eu postei ontem no instagram uma menina que forrou o fundo de um quadro com um mapa, e colocou fotos em cima. Achei bem bonito e fácil de fazer. Daqui a pouco tem mais gente aqui na seção.
      beijos!

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  2. Nah - Pra Ver em Londres
    26 de agosto de 2014 at 1:41 (4 anos ago)

    Que legal ver a casa da Helô aqui.
    Eu já tive o prazer de conhecer por dentro (é realmente uma delícia!) e não tinha observado alguns detalhes (porque me sinto muito bisbilhoteira quando fico “encarando” as coisas das casas dos outros. haha). :)

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    • Jackie Mota
      26 de agosto de 2014 at 19:12 (4 anos ago)

      hahahah sei como é.
      =)
      bjs,

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  3. Marla Rodrigues
    25 de agosto de 2014 at 22:02 (4 anos ago)

    Que lindeza as coisinhas da Helô!
    E é incrível mesmo, cada detalhe, cada bibelô, cada globinho tem um monte de história pra contar! Acho que é como ela falou, a gente se sente abraçada pelas lembranças felizes!

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    • Jackie Mota
      25 de agosto de 2014 at 23:18 (4 anos ago)

      É verdade, Marla.
      Obrigada pela visita!
      bjs,

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  4. Paula Brum
    22 de agosto de 2014 at 18:36 (4 anos ago)

    Esse post lembrou a série 52 objetos do Básico e Necessário, pois curtia muito as histórias que envolviam os objetos da Helô. Agora, além das histórias, muito de seu bom gosto. Adorei o estilo e o carinho da viajante com suas lembranças. BjO!

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    • Jackie Mota
      24 de agosto de 2014 at 13:51 (4 anos ago)

      Essa série é o máximo mesmo. Um beijo e obrigada pelo comentário, Paula.

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