O que aprendi com a Yoga: o companheirismo é doce

Ainda sou bem iniciante na prática da Yoga, mas acho que consegui apreender rapidamente que aqui eu tinha duas escolhas. A primeira seria me concentrar no que eu posso fazer na Yoga, como li um dia na rede social de uma mocinha que falava sobre escolher boas “poses” de Yoga pra postar no Instagram. Com isso, eu estaria fazendo um ótimo exercício físico, melhorando minha postura, flexibilidade, equilíbrio. Nada mal, né? Mas a outra opção, entender que o importante é o que a Yoga pode fazer em mim,  poderia me dar tudo isso também, e muito mais. Por isso, optei pelo segundo caminho e mergulhei nessa prática de forma integral, de corpo, cabeça e coração.

Acho que meu primeiro ensinamento na Yoga veio antes mesmo do que aprendi na sala. Ele começava lá fora, quando eu chegava à aula todos os dias. Ali no corredor, sentado em um banquinho, um senhor anotava a presença dos alunos, dava informações, conversava de forma calma. E ali ficava até o fim das aulas de duas turmas seguidas, esperando por sua esposa, que era a nossa mestre de Yoga. Ele fazia isso todos os dias de aula, sem falta.

o que aprendi na yoga doçura

Todos os dias ao chegar à aula eu sorria ao vê-lo. Achava tão fofa essa cumplicidade entre eles. E foi ali que se deu meu primeiro aprendizado. De repente, eles, aquele casal que vivia de forma carinhosa e calma em sua rotina de companheirismo, passou a ser o meu modelo perfeito, o meu “ídolo”. Passei a pensar neles quando pensava no meu futuro, e em felicidade. Eu não sabia bem o porquê ainda, mas pensava no companheirismo e no carinho entre eles.

E você sabe, quando você muda a sua mente, você muda o seu olhar e, aí, passa a viver em um mundo completamente novo. Então, o que aconteceu foi que eu passei a encontrar com esses casais por aí sempre. A cada ida ao mercado, a cada viagem, encontrava pelo menos um deles no nosso caminho. No Porto, dei até uma de paparazzi de um desses casais que passeava à tarde nos jardins do Palácio de Cristal – a primeira foto do post. E alguma coisa entre eles sempre me encantava. Um gesto, um olhar, uma presença silenciosa lado a lado.

Quando viajamos para comemorar nossos 5 anos de casados, em junho, foi essa foto abaixo uma das primeiras que tirei, assim que colocamos os pés no centro de Paris.

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Eu tinha achado mais uma vez aquele elemento que não sabia nomear, mas que me fazia sorrir ao ver um casal. Salvei a foto na minha área de trabalho e passei a olhá-la sempre. Agradeço pela existência desses casais pelo mundo e peço que sejamos assim, sempre, juntos, companheiros, carinhosos, felizes, um ao lado do outro, pelo mundo, de alguma forma inspirando outros casais também um dia.

Então, quando retornamos de viagem, passamos a praticar Yoga em outro local, com um novo mestre. E, ao final da prática, eu sorri, mais uma vez constatando que quando a gente muda, o mundo muda com – e para – a gente. Na Yoga não há fórmula, cada prática é única e cada mestre coloca muito de si, mas também, o que é especial, muito do que cada um dos praticantes precisa. E nosso novo mestre tem um agradecimento especial. Todos os dias, ao final da prática, invariavelmente, ele deseja que nossas palavras sejam doces. E foi assim que, finalmente eu entendi o que era aquilo que aprendi a admirar entre os casais e buscar para nós: era doçura. A Yoga me ensinou que o companheirismo é forte como uma rocha, mas também é doce. Namastê.

Cresceu no interior de Minas, sempre cercada de livros. Desde criança tem uma alma antiga. Encontrou no Rio o amor da sua vida, com quem ama viajar e se casar (again and again). É mãe de dois buldogues, Maquiavel e Foucault, jornalista e mestre em Estudos Estratégicos.

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