Arequipa II: um city tour pitoresco

E lá estávamos nós sãos e salvos em Arequipa. Acordamos cedo, tomamos café e antes de dar tempo do Rômulo me perguntar “e aí, o que vamos fazer?” fico para morrer que ele não lê o roteiro , a recepcionista já tinha nos sugerido um city tour que saía naquele momento a duas quadras dali. Não curtimos muito city tours, preferimos fazer nosso próprio roteiro, mas às vezes é legal para dar uma idéia da cidade ou aproveitar o transporte entre pontos distantes. Como ela disse que não levaria o dia todo, fomos, pois teríamos o resto do dia para explorar Arequipa sozinhos, caso não curtíssemos o tour.

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Corremos e embarcamos no ônibus turístico, que já estava na segunda parada. E aí começamos a olhar a programação: alguns nomes impronunciáveis, uma mansão, um passeio a cavalo, um mini-zoológico. OiNo nosso roteiro original prevíamos ficar apenas pelo centro – patrimônio cultural da humanidade – fazendo tudo a pé, visitando a Praça de Armas e o Convento de Santa Catalina. Mas o tour só previa uma parada no centro (a Praça de Armas, e já tinha ocorrido antes de subirmos a bordo) e depois era tudo bem longe dali. Ok, devia mesmo haver muita coisa para se ver além do centro, mas aqueles nomes não nos diziam nada. Achamos a programação no mínimo pitoresca. Mas como nada até aquele momento estava sendo convencional em Arequipa, entramos no clima e prosseguimos no “Campiña Tour”. Segundo meu espanhol capenga, deveria ser algo como “um tour campestre”.


A primeira parada foi em Janaguara. Neste bairro há uma bonita praça, o Mirador de Yanahuara, cujos arcos são cobertos com frases de pessoas célebres de Arequipa, e uma igreja. Rende boas fotos, é bem bonita, já dá para tirar com o guia as dúvidas sobre a pedra vulcânica usada ali (se chama sillar). Tinha uma padaria pertinho em que fizemos a festa com rocamboles deliciosos (#ficadica!). 


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Voltamos pro ônibus e rumamos para a próxima parada, passando por bairros bem pobres, típicos de periferia, até chegar ao mirador de Carmen Alto. É uma espécie de fazenda/centro cultural em que se tinha uma ótima vista dos vulcões de Arequipa: Chachani, Pichu Pichu e o Misti. O Misti é o mais famoso, pois está apenas adormecido e não extinto, como os outros dois.



Aqui ouvimos mais um pouco da história de Arequipa. A cidade não é conhecida por “branca” apenas pelas construções com sillar, mas também por ter sido habitada majoritariamente por espanhóis. Muita gente ia para lá por recomendação médica: o ar de Arequipa, diziam, fazia bem aos asmáticos.

Ouvimos sobre as destruições de Arequipa, por lava do Misti e por terremotos. Até 2001 foram 10 grandes terromotos, o pior em 1878. Rômulo me olha apavorado e diz “e você me traz numa cidade que é destruída a toda hora? Vou embora!” #euri


Essa parada é bem legal não só pela vista, mas porque podemos ver e provar alguns elementos gastronômicos da cidade (#vaigordinha). Provamos o famoso queso helado, que não leva queijo (é de baunilha, leite, coco e canela) e é bem típico de Arequipa. Vimos frutas como Tumbo, que se parece com o maracujá e é usada no ceviche, a Papaya e a Maca, conhecida por Ginseng dos Andes. Compramos balas de maca, pois é um ótimo energético. 


De volta ao ônibus rumamos para uma parada beeem turística: uma loja de produtos de alpaca. Mas, mesmo para quem não quiser comprar nada (os produtos de alpaca não são baratos) a parada vale para ver o mini-zoológico e também para receber uma explicação sobre a alpaca verdadeira e assim evitar levar lhama por alpaca em qualque loja no Peru. No zôo a loja mantém 4 espécies bem parecidas entre si: lhama, alpaca, guanaco e vicuña. O Guanaco é o mais selvagem e como no grupo tinha um tiozinho mala que tentou mexer com ele deu logo uma cusparada na cara do tio e deixou a parada ainda mais legal.





Em seguida fomos para a Mansão do Fundador. É, o fundador da cidade. Parece boring? Pois não julgue assim à primeira vista. A parada tem uma parte turística clássica – uma senhora oferece gaviões para fotos na entrada, há lhamas soltas pelo jardim, um carro antigo estacionado na porta – mas lá dentro há relíquias. O prédio data do século XVI, construído em sillar, em estilo hacienda, contém muitas obras e mobília originais da construção. Mas, para mim, o melhor foi descobrir resquícios da Guerra do Pacífico dentro do armário de um dos quartos. Ali há pinturas deixadas pelo exército chileno em sua campanha contra o Peru. #Pirei


Outro atrativo do lugar é que daria um belo casamento. É, eu perguntei e eles alugam para até 120 pessoas (US$ 1 mil para 60 pessoas). Um belo destino pro World Wedding, né não?






A última parada foi na região de Sambadía, nos Molinos coloniales. Ali pode-se andar a cavalo. Fiquei bem empolgada com isso porque o senhor meu marido só tinha andado quando criança. Eu como boa roceira e neta de vaqueiro fui dar umas noções para ele. Mas é coisa rápida o passeio e não consegui entender a lógica de sua inclusão no roteiro. Eu teria adorado o passeio, porque gosto quando o marido tem a chance de fazer coisas novas, mas fiquei receosa quanto ao tratamento recebido pelos animas, pois alguns estavam pele e osso, coitadinhos. Então, até achei interessante a inclusão desse passeio no city tour, mas espero que os animais sejam tratados decentemente. 

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Durante o tour ainda vimos, sem descer do ônibus, outras atrações como o Palácio Goyeneche e vários vales, e ficamos sabendo que a cidade é a maior produtora de cebola roxa do país (amo!).


A parada final do ônibus é no centro, onde ficamos. Onde ficamos perdidos, quero dizer, já que contrariando uma dica que damos por aqui e para todos com quem viajamos, saímos do hostel sem pegar um cartão ou panfleto de lá. Como havíamos chegado naquela confusão da noite, não nos lembrávamos do endereço do lugar e ninguém conhecia o hostel pelo nome (era novo, lembram?). Pois ali estávamos, perdidos no meio de Arequipa. Mas a guia do ônibus era muito gentil e foi ligando para todos os hostels que tinham enviado clientes até que achou o nosso. 

Se o ar de arquipa fazia bem pros asmáticos eu não sei, mas que fazia mal para nossas cabecinhas, ah, isso fazia. 


Informaçõesfizemos o city tour com a empresa “Tours Class Arequipa“. Nosso roteiro foi o “Campiña tours”, custou 35 soles (em janeiro de 2012) e durou cerca de 3 horas. A empresa oferece outros roteiros. 



Texto e edição: Jackeline Mota; fotos: Viaje Sim!

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6 Respostas para “Arequipa II: um city tour pitoresco”

  1. kéko
    30 de outubro de 2012 at 18:32 #

    não deixe de ir ao restaurante nuevo palomino forno a leña muito bom !
    qualquer taxista sabe onde fica de 4 a 6 soles a corrida

  2. jackieeromulo
    26 de outubro de 2012 at 11:16 #

    Esse rotero, campina tour, né? Pois e´, nãp sei se vc viu o post anterior, mas a gente não pesquisou, simplesmente embarcou neste que o hostel arrumou pra gente. Eu gostei justamente por isso. Imagina se eu tivesse pesquisado, ou feito o roteiro sozinha se ia tão longe tendo um dia só na cidade. Dificilmente. Também amamos Arequipa, cidade linda, romantica… comemos pizza! hahahah Estavamos traumatizados por Puno. E tinha um restaurante do Gastón Acurio, mas meu marido queria a certeza da pizza rs. Mas espero voltar um dia.
    bjs,

  3. Rafaela Ventura
    24 de outubro de 2012 at 8:37 #

    Acho que todas as empresas de turismo de Arequipa fazem esse mesmo tour. Eu achei ótimo, vai a lugares mais distantes que nunca iríamos de outra forma. E tudo em Arequipa é muito legal. Dos lugares que mais gostei no Peru. E come-se muito bem, até para padrões peruanos

  4. jackieeromulo
    22 de outubro de 2012 at 10:51 #

    Oi Natalie, tudo bem! Nossa, que notícia excelente para começar uma segunda-feira =)
    Obrigada!
    bjs,

  5. Boia Paulista
    22 de outubro de 2012 at 10:37 #

    Oi, Jaque. Tudo bem?
    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com
    Até mais,
    Natalie – Boia Paulista

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