Enfim, no meio da tarde, estávamos na Isla del Sol, bem no meio do Lago Titicaca. Aquele lago que sabíamos desde a 5ª série ser o lago navegável mais alto do mundo, na fronteira entre Bolívia e Peru. De fato podíamos sentir a altitude de mais de 3,8 mil metros nos afetando. Mas nossos espíritos também estavam afetados, não apenas pelo cansaço da viagem, mas também pela expectativa para conhecer de perto o berço da civilização inca.
Poderíamos dizer também que estávamos sob influência de alguma energia especial local. Sim, se muita gente diz sentir “algo” em Machu Picchu, foi a Isla del Sol que conseguiu nos tocar de algum modo. Ao pisar aquele pedaço de terra no meio do Lago nos sentimos como chegando em casa. Nos sentimos parte daquele povo cujas leis são Ama sua, ama llulla, ama quella (não roube, não minta, não seja preguiçoso). E ao sair dali, no dia seguinte, nos sentiríamos completamente encantados e cheios de energia para prosseguir viagem e a vida.
A Isla del Sol é a mais importante das 41 ilhas do Lago Titicaca. Segundo a lenda, teriam nascido ali Manco Cápac e sua irmã Mama Occlo, os fundadores do povo inca, bem como o próprio Sol. A Pedra do Puma, ou Titi Kahr’ka, que dá nome ao lago, também está ali.
Quando desembarcamos, tínhamos tudo isso a agitar nossa alma e aquela paisagem de azul turquesa e verdes múltiplos a nos encher os olhos. Sentíamos que não pensávamos direito, ou que não precisávamos pensar. Simplesmente seguimos em frente, não o fluxo de turistas que estacionou ali pela parte sul, na comunidade Yumani, mas sim algum caminho que já parecíamos conhecer.
E depois de quase duas horas, conseguimos. Estávamos no topo do topo do topo da ilha. Rômulo comemorou dançando e cantando a la Rocky Balboa e eu fiz uma promessa a la Scarlet O´hara: “Eu jamais aceitarei que me chamem de sedentária outra vez na vida”.
Dali para o nosso hotel foi uma curta caminhada, plana. E enfim pudemos ficar somente admirando a beleza da ilha e sentindo a energia do lugar. O planejamento inicial ficou na mochila, junto com os guias, o diário de viagem, as preocupações. Apenas fomos ficando ali no hotel, no jardim com muros baixos de pedra, plantas e um cachorro. Quase em casa. Ficamos olhando a noite chegar no Lago. Depois, admirando a quietude da noite, quando se ouvia somente o vento forte, e mais adiante o dia nascendo. E então a volta de todas as cores com a manhã.
Antes do meio-dia do dia seguinte caminhamos uma hora, em descida, para pegar um barco de volta à Copacabana. Não tínhamos visto tudo o que queríamos, mas sentíamos que tínhamos feito o que precisávamos ali. Em paz, e bem felizes, fomos. Mas esperamos um dia voltar.















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