Cheguei ao Museo de la Coca meio cética, confesso. Estava apostando que ia ser chato, ou superficial ou que não me acrescentaria nada de novo sobre o tema. Mas, ainda bem, eu estava enganada. O pequenino museu tem uma proposta muito clara – oferecer informação simples e direta sobre a história da Coca, a folha originária dos Andes e que deu origem à substância cocína – e é muito bem sucedido em seu propósito.
Localizado na Rua Linares, o museu fica nos fundos de uma galeria. A entrada custa 10 bolivianos por pessoa e dá direito a visitar a exposição no primeiro andar, com guia impresso em português, e ao café no segundo piso. A exposição é quase completamente composta de textos e fotos, cartazes, sem outros recursos. Apesar disso, me prendeu bem, não achei entendiante.
O conteúdo é bem completo. Inclui informações históricas, sobre a origem da folha, o hábito nativo de mascá-la e como os espanhóis a utilizaram para a exploração dos indígenas. Descreve o uso da coca em bebidas e tônicos e o desenvolvimento da cocaína, em consultórios médicos (Freud utilizou bastante a substância)e o uso de derivados desta família (como a lidocaína etc) pela indústria farmacêutica. E explica também a evolução da legislação que tornou essa substância feita com a coca ilegal.
Também há informação sobre o uso abusivo da cocaína, mostrando os efeitos sobre a saúde, o tráfico da droga e a guerra às drogas. E traz também informações sobre a composição nutricional da folha, seus efeitos quando utilizada da forma tradicional e diversos outros aspectos.
Entre as fotos há interessantes anúncios de produtos dos anos 40 e 50 utilizando crianças e vendendo os benefícios da cocaína para a saúde. Uma informação que eu não conhecia é que a Coca-cola, a Coke americana, não foi a primeira bebida comercial a utilizar a coca na composição. Quando lançado, o refrigerante entrou no mercado para competir com o vinho Mariani, francês, e de bastante sucesso na época. Tão popular que o Papa Leão XIII apareceu em um anúncio endossando a bebida.
No segundo andar do museu funciona uma cafeteria onde é possível consumir e comprar para levar para casa produtos à base de coca como cafés, bolos, doces e licor. Vale lembrar que é proibido entrar no Brasil com folhas de Coca, mas pode-se trazer produtos industrializados à base de Coca.
O pequeno Museo de la Coca vale uma visita e vale ser divulgado, pois é uma pequena mostra de informação clara e útil.










